quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Tensões políticas quase teológicas.

Vou ter que trabalhar muito sobre tudo que tenho visto e ouvido, até que as coisas comecem a ganhar uma 'forma''. Em situações como esta, o presente --- até mesmo o mais fugidio ---- ganha um valor extraordinário. Tudo no mundo alcançou seu ponto X de fervura, e agora uma parte dele está em reconstrução e outra em transformação, e quase todos os momentos,colocam para ambas as partes questões muito críticas. O Banco Central Europeu quer jogar toda a culpa da crise no aumento do que ele chama de '' populismo'' , que nada mais é do que o aumento da tensão política na vida pública da Europa. Vida política que vem ganhando um caráter quase teológico, se pensarmos nos últimos acontecimentos como uma ''obra da alma humana' , cujo valor supera em inspiração qualquer política acomodatícia emergencial que o BCE venha a usar como moeda de reabilitação eleitoral de seus fantoches liberais. Os debates no Conselho de Governadores do BCE serão como uma viagem de ácido lisérgico através das perspectivas de inflação. Tão estreita que abafará, num grau impensável, tudo o que é, a um só tempo , consciencioso e maquiavélico em política monetária.  Não há condições nem sequer de se fazer um juízo sobre isso; no fundo, algo dramático, pois trata-se de uma situação sobre a qual os países que estão envolvidos nela deveriam poder tomar posição, e sobretudo uma posição de rejeição; a partir de fora, do lado de fora da Troika, não se pode fazer mais do que observar passivamente a tecnocracia deliberando sobre o destino da Europa como quem tange gado para o matadouro. A verdadeira soberania nacional sempre se baseou na existência de um nexo ''indecidível'' entre violência e direito, cidadãos e linguagem, ou seja, cidadãos e lei, e que um tal nexo tenha necessariamente a forma paradoxal de uma decisão sobre o ''estado de exceção'' ,de que nos fala Carl Schimtt , ou de um ''bando'', em que a lei, como linguagem, se mantém em relação com os cidadãos ''retirando-se'' deles, a-BANDO-nando-os à sua própria violência e à sua própria frigideira social. A vida sagrada pressuposta e abandonada pela lei no estado de exceção é o autêntico portador da soberania, o verdadeiro sujeito soberano da Europa. Enquanto o domínio do Estado moderno deixa sobreviver em todos os cantos da Europa seu invólucro vazio como pura estrutura de domínio, há décadas filósofos e teóricos da soberania política, como Carl Schmitt, já viam nisso tudo o sinal seguro do fim de toda política representativa. Não existe mais nenhuma figura politicamente viva da ''polis'' . O que se passa atualmente na Rússia é o único exemplo remotamente coeso de nação que possuímos. Talvez uma comunidade realmente nacionalista, ou talvez qualquer coisa minimamente diferente disso. A luta que decidirá o que virá a acontecer no resto do mundo é ininterrupta, e torna-se cada vez mais produtivo, para cada indivíduo, estar objetivamente ligado a estas situações; apenas não se pode querer ligar-se a elas a partir de meras ''posições de princípios'', como manda a cartilha liberal da ''cidadania ativa''; É necessário e urgente para cada indivíduo pensar e pesar até que ponto pode-se intensificar uma relação objetiva com os acontecimentos de sua própria pátria., perpassando todos os mimados hábitos e arraigados costumes burgueses, que querem nos convencer de que o ''conceito de espécie humana''  se desenvolve separadamente do ''conceito de evolução'' . 

K.M.

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