quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O resultado é sempre meio macabro. 2 -

Quando as negociações com o Egito e Israel chegaram no ponto morto, Mr. Kissinger, ciente das dificuldades de Rabin , sentiu-se burlado . O Presidente Ford ficou tão irritado que mandou aquela carta ao Premier. Alsop podia até ter seu ''horror'' ao hábito americano de tomar partido em disputas alheias, mas isso não o impediu de dizer ao Sr. Eiran : ''Numa questão de guerra ou de paz da maior importância para seus parceiros americanos, Israel havia permitido que sua política interna, manhosa ou corrupta , assumisse o controle . Foi isso , e só isso, que originou as dificuldades entre o vosso país e o meu ---- pelo menos do lado americano, que é o lado que representa perigo para vocês. É injusto, sem dúvida, mas dificuldades com os Estados Unidos podem se tornar fatais para Israel, enquanto que dificuldades com Israel não constituem uma ameaça séria para os Estados Unidos.  Seria difícl para um observador político ----- e em Israel todos os cidadãos  são observadores políticos ----- saber como entender uma coisa dessas . Alsop queria francamente dizer : ----- ''Coloquem a casa  em ordem, disciplinem-se, menos estardalhaço, menos pose, NÃO AVANCEM O SINAL VERMELHO ''. Mas seriam tais ameaças realmente inspiradas pelo Secretário de Estado ?? ou pelo Presidente ?? Ou teria o próprio Alsop, cidadão privado americano, mas também homem público, por sua estatura, por considerar a si mesmo um gigante , chamado a si mesmo a tarefa de fazer estalar o chicote no melhor estilo circense de Toulouse Lautrec ?? ''Israel '' (prosseguia Alsop ) ''Não se adaptou ao fato de que as relações dos Estados Unidos com os países árabes mudaram muito. Essa adaptação é mais urgente do que nunca agora, a não ser que os Israelenses desejem dificuldades ainda maiores, não só com os Estados Unidos, mas com o próprio Universo. Mas ajustar-se à nova realidade, aos novos tempos, não implica ABSOLUTAMENTE  em curvar-se invariavelmente às opiniões da Comunidade Internacional ou da América. Sempre haverá campo para discussões em profundidade ''Alsop fala aqui apenas do fato de Israel não ter sabido ''adaptar-se'' , não diz nada sobre o reconhecimento do Egito do direito de Israel existir. Nem menciona os esforços árabes para influenciar a política americana no Oriente Médio. Pois não existe ainda hoje boicote de companhias que têm negócios com Israel ?? Não se conhecem hoje tantos lobbystas árabes ?? Apesar de tudo, no livro ''The Secret Conversations of Henry Kissinger '' , de Matti Golan , o Secretário de Estado é acusado de duplicidade ao negociar um cessar-fogo com os russos que impediu os israelenses de destruírem  dois exércitos egípcios, que já haviam encurralado . Parece que antes de voar para Moscou , no momento mais crítico da Guerra do Yom Kippur, Kissinger prometeu ao embaixador de Israel, S. Dinitz , negociar devagar com os russos, a fim de dar tempo a Israel para alcançar seus objetivos militares; mas, segundo o Sr. Golan , mal desembarcou , o cessar-fogo foi acertado, e o Presidente Nixon pediu à Golda Meir que anunciasse sua aceitação dos termos que Kissinger negociara sem consultas à ninguém . A Sra. Meir ficou ''chocada e furiosa '' Durante uma reunião do Gabinete, recebeu uma mensagem do Primeiro Ministro britânico insistindo para que aceitasse o cessar-fogo. ''Ela e os outros ministros compreenderam, então, que não só Kissinger não a consultara, mas que ele só dera-lhe parte do acordo após informar o Ministro do Exterior britânico  ''. Israel sentiu-se profundamente insultado --- e até mesmo traído por Kissinger . Possivelmente os russos ameaçaram intervir. É improvável que tivessem permitido à Israel destruir dois exércitos egípcios e talvez tomar o Cairo. E que diabos Israel faria com o Cairo ?? Outra semana de uma guerra como aquela custaria à Israel alguns milhares de vidas a mais. O que em Kissinger era chamado de TRAIÇÃO, no entanto , em outro Secretário de Estado seria aceito,com um dar de ombros , como mera DIPLOMACIA ---- ou seja: uma das formas habituais da PERFÍDIA DIPLOMÁTICA.

K.M.

Nenhum comentário:

Postar um comentário