quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Dos meus antepassados gauleses...

SANGUE RUIM

Fonte : Arthur Rimbaud, “Mauvais sang” in Poésies, Une saison en enfer, Illuminations, [Préface de René Char, Edição organizada por Louis Forestier], Paris, Gallimard, 1999,  p. 179-187

De meus antepassados gauleses tenho o olho azul e branco, e a falta de jeito na luta. Julgo minhas vestes tão bárbaras quanto as suas. Mas não unto meus cabelos.

Os gauleses eram os esfoladores de animais, os queimadores de ervas mais incapazes de seu tempo.

Deles, herdei: a idolatria e o amor ao sacrilégio; — todos os vícios, cólera, luxúria — magnífica, a luxúria — e sobretudo a mentira e a preguiça.

Tenho horror a todos os ofícios. Patrões e operários, todos campônios, ignóbeis. A mão que escreve é a mesma que lavra. — Que século de mãos! — Jamais terei mão. Além do mais, a domesticidade leva muito longe. A honestidade dos mendigos me exaspera. Os criminosos me repugnam como os castrados: quanto a mim, estou intacto, e isso pouco me importa.

Mas quem fez minha língua assim pérfida, a ponto de fazê-la guiar e proteger minha preguiça? Sem servir-me nem mesmo do meu corpo para viver, e mais ocioso que o sapo, vivi em todas as partes. Não há uma só família da Europa que eu não conheça. — Quer dizer, famílias como a minha, que tudo devem à Declaração dos Direitos do Homem. — Conheci cada filho de família!

Tivesse eu antecedentes num ponto qualquer da história da França!

Mas não, nada.

É para mim evidente que sempre fui raça inferior. Não posso compreender a revolta. Minha raça não se sublevou nunca senão para pilhar: como os lobos ao animal que não mataram.

Evoco a história da França, filha mais velha da Igreja. Vilão, teria feito a viagem à terra santa; tenho na memória caminhos das planícies suávias, paisagens de Bizâncio, muralhas de Solima; o culto de Maria, a ternura pelo crucificado despertando em mim em meio a mil magias profanas. — Sentei-me, leproso, sobre os vasos quebrados e urtigas, ao pé de um muro carcomido pelo sol. — Mais tarde, cavaleiro, teria dormido sob as noites de Alemanha.

E mais ainda: danço o sabá numa clareira rubra, com velhas e crianças.

Nada recordo além desta terra e do cristianismo. Jamais findaria de rever-me nesse passado. Mas sempre só; sem família; além do mais, que língua falaria? Jamais me vejo nos conselhos do Cristo; tampouco nos conselhos dos Senhores, — representantes do Cristo.

Embora houvesse estado no século anterior: só hoje torno a encontrar-me. Não mais vagabundos, nem guerras incertas. A raça inferior cobriu tudo — o povo, como se diz, a razão, a nação e a ciência.

A ciência! Tudo foi recomeçado. Para o corpo e a alma, — o viático, — têm-se a medicina e a filosofia, — os remédios das comadres e as canções populares arranjadas. E as diversões dos príncipes e os jogos que eles proibiam! Geografia, cosmografia, mecânica, química!...

A ciência, a nova nobreza! O progresso. O mundo marcha! Porque não haveria de girar?

É a visão dos números. Dirigimo-nos ao Espírito. É certo, é oráculo, o que digo. Eu compreendo, e não sabendo explicar-me sem palavras pagãs, preferiria calar-me.

O sangue pagão retorna! O Espírito está perto, porque Cristo não me ajuda, dando à minha alma nobreza e liberdade? Enfim! o Evangelho passou! O Evangelho! O Evangelho.

Espero Deus com gula. Sou de uma raça inferior desde toda eternidade.

Eis-me aqui, sobre a praia armoricana. Que as cidades se iluminem à noite. Minha jornada findou: deixo a Europa. O ar marinho queimará meus pulmões; os climas perdidos me curtirão. Nadar, mastigar a erva, caçar, e sobretudo fumar; beber licores fortes como metal fundente, — como faziam os ancestrais em torno ao fogo.

Voltarei, com membros de ferro, pele escura, olhar selvagem: por minha máscara. Me julgarão de raça forte. Terei ouro; serei ocioso e brutal. As mulheres cuidam desses enfermos ferozes que voltam dos países quentes. Me envolverei nos assuntos políticos. Serei salvo.

Agora sou maldito, tenho horror à pátria. O melhor é dormir, completamente bêbado, na praia.

Não nos vamos. — Retomemos estes caminhos, carregando meu vício, o vício que deitou suas raízes de sofrimento a meu lado, desde a idade da razão — que sobe ao céu, me golpeia, me derruba, me arrasta.

A última inocência e a última timidez. Está dito. Não transmitir ao mundo meus desgostos e minhas traições.

Adiante! A marcha, o fardo, o deserto, a náusea e a cólera.

A quem alugar-me? Qual besta é preciso adorar? Que santa imagem ofender? Que corações devo quebrar? Que mentira devo sustentar? — Em que sangue caminhar? Antes de mais nada, cuidar-se da justiça. — A vida dura, o simples embrutecimento, — erguer, com o punho ressecado, a tampa do ataúde, sentar-se, morrer sufocado. Não mais velhice, nem perigos: o terror não é francês.

— Ah! estou de tal maneira desamparado que ofereço, a não importa que divina imagem, impulsos para a perfeição.

Ó minha abnegação, ó minha caridade maravilhosa! Cá na terra, no entanto!

De profundis Domine, sou um imbecil!

Criança ainda, eu admirava o apenado intratável sobre quem se cerra sempre o cárcere; eu visitava os albergues e estalagens que ele teria santificado com suas estadia; via, com seu pensamento o céu azul e o trabalho colorido do campo; pressentia a fatalidade das cidades. Ele possuía mais força que um santo, mais bom senso que um viajante — e ele, só ele era testemunha de sua glória e de sua razão.

Nos caminhos, nas noites de inverno, sem abrigo, sem vestes, sem pão, uma voz oprimia meu coração gelado: “Fraqueza ou força: aqui estás, esta é a força. Não sabes par aonde vais, nem porque vais, entra em toda parte, responde a todos. Não te matarão mais do que se fosses cadáver”. Pela manhã eu tinha o olhar tão perdido e a fisionomia tão morta, que talvez nem me tenham visto aqueles que encontrei.

Nas cidades a lama me parecia subitamente vermelha e negra, como um espelho quando a lâmpada se move no quarto vizinho, como um tesouro na floresta! Boa sorte, gritava, e via um mar de chamas e fumaça no céu; e, à esquerda, à direita, todas as riquezas flamejavam como um milhão de raios.

Mas a orgia e a camaradagem das mulheres me eram proibidas. Nem mesmo um companheiro. Eu me via diante de uma multidão exasperada, face ao pelotão de execução, chorando a desgraça de que não haviam podido compreender, e perdoando! — Como Joana d`Arc! — “Sacerdotes, professores, patrões, enganai-vos entregando-me à justiça. Jamais pertenci a este povo; jamais fui cristão; sou da raça que cantava em meio ao suplício; não entendo as leis; não tenho o senso moral, sou um bruto: vós vos enganais...”

Sim, tenho os olhos fechados à vossa luz. Sou um animal, um negro. Mas posso ser salvo. Vós sois falsos negros, sois maníacos, ferozes, avaros. Mercador, tu és negro; magistrado, tu és negro; general, tu és negro; imperador, velha sarna, tu és negro: bebeste um licor de contrabando, da fábrica de Satã. — Este povo está inspirado pela febre e pelo câncer. Enfermos e velhos são tão respeitáveis que pedem para morrer em água fervente. — O melhor a fazer é abandonar este continente, onde a loucura ronda para prover de reféns estes miseráveis. Entro no verdadeiro reino dos filhos de Cam.

Conheço ao menos a natureza? Conheço-me? — Não mais palavras. Sepultei os mortos em meu ventre. Gritos, tambores, dança, dança, dança, dança! Não vejo nem mesmo a hora em que, os brancos desembarcando, cairei no nada.

Fome, sede, gritos, dança, dança, dança, dança!

Os brancos desembarcam. O canhão! É preciso submeter-se ao batismo, vestir-se, trabalhar.

Recebi no coração o golpe de misericórdia. Não o tinha previsto!

Jamais pratiquei o mal. Os dias me serão leves, o arrependimento me será poupado. Não terei tido os tormentos da alma quase morta para o bem, na qual ascende a luminosidade severa como a dos círios fúnebres. O destino do filho de família, esquife prematuro coberto de límpidas lágrimas. Sem duvida, a devassidão é estúpida, o vício é idiota; é preciso jogar fora a podridão. Mas o relógio não terá chegado a tocar senão a hora da dor pura! Serei suspenso como uma criança, para brincar no paraíso, esquecido de todas as desgraças!

Depressa! existem outras vidas? — O sono entre riquezas é impossível. Só o amor divino outorga as chaves da ciência. Vejo que a natureza não passa de um espetáculo de bondade. Adeus quimeras, idéias, erros.

O canto judicioso dos anjos se eleva do navio salvador: é o amor divino. — Dois amores! Posso morrer do amor terrestre, morrer de devoção. Deixei almas cujo sofrimento aumentará com minha partida! Vós me escolhestes entre os náufragos, não são meus amigos os que ficam?

Salvai-os!

Nasceu-me a razão. O mundo é bom. Abençoarei a vida. Amarei meus irmãos. Não são mais promessas infantis. Nem a esperança de escapar à velhice e à morte. Deus faz minha força e eu louvo Deus.

O tédio não mais é meu amor. Os ódios, a devassidão, a loucura, dos quais conheço todos os ímpetos e desastres, — todo meu fardo foi arriado. Apreciemos sem vertigens a extensão da minha inocência.

Eu não seria mais capaz de pedir a consolação de uma paulada. Não creio ter embarcado em núpcias, com Jesus Cristo por sogro.

Não sou prisioneiro de minha razão. Disse: Deus. Vejo a liberdade na salvação: como consegui-la? Os gostos frívolos me abandonaram. Não mais necessidade de devoção nem de amor divino. Não deploro o século dos corações sensíveis. A cada um sua razão, desprezo e caridade: ocupo meu lugar no cume desta angélica escala de bom senso.

Quanto à felicidade instituída, doméstica ou não...não, não posso. Sou muito dissipado, frágil em excesso. A vida floresce pelo trabalho, velha verdade: quanto a mim, minha vida me pesa, levanta vôo e flutua longe, acima da ação, esse precioso centro do mundo.

Que solteirona estou me tornando, perdendo a coragem de amar a morte!

Se Deus me concedesse a calma celestial, aérea, a oração, — como os antigos santos. — Os santos! esses fortes! os anacoretas, artistas de uma espécie já extinta!

Farsa contínua! Minha inocência me faria chorar. A vida é a farsa que todos devem representar.

Basta! eis a punição. — Em marcha!

Os pulmões queimam, as têmporas latejam! A noite roda em meus olhos, através deste sol! O coração...os membros...

Para onde vamos? ao combate? Sou fraco! os outros avançam. As ferramentas, as armas,...o tempo!...

Fogo! fogo sobre mim! Lá! ou me rendo. — Covardes! — Eu me mato! Me jogo às patas dos cavalos!

Ah...

— Me acostumarei a isso.

Seria a vida francesa, a senda da honra!
...
(.)

J'ai de mes ancêtres gaulois l'oeil bleu blanc, la cervelle étroite, et la maladresse dans la lutte. Je trouve mon habillement aussi barbare que le leur. Mais je ne beurre pas ma chevelure.

Les Gaulois étaient les écorcheurs de bêtes, les brûleurs d'herbes les plus ineptes de leur temps.

D'eux, j'ai : l'idolâtrie et l'amour du sacrilège ; - Oh ! tous les vices, colère, luxure, - magnifique, la luxure ; - surtout mensonge et paresse.

J'ai horreur de tous les métiers. Maîtres et ouvriers, tous paysans, ignobles. La main à plume vaut la main à charrue. - Quel siècle à mains ! - Je n'aurai jamais ma main. Après, la domesticité mène trop loin. L'honnêteté de la mendicité me navre. Les criminels dégoûtent comme des châtrés : moi, je suis intact, et ça m'est égal.

Mais ! qui a fait ma langue perfide tellement qu'elle ait guidé et sauvegardé jusqu'ici ma paresse ? Sans me servir pour vivre même de mon corps, et plus oisif que le crapaud, j'ai vécu partout. Pas une famille d'Europe que je ne connaisse. - J'entends des familles comme la mienne, qui tiennent tout de la déclaration des Droits de l'Homme. - J'ai connu chaque fils de famille !

¯¯¯¯¯¯¯¯

Si j'avais des antécédents à un point quelconque de l'histoire de France !

Mais non, rien.

Il m'est bien évident que j'ai toujours été [de] race inférieure. Je ne puis comprendre la révolte. Ma race ne se souleva jamais que pour piller : tels les loups à la bête qu'ils n'ont pas tuée.

Je me rappelle l'histoire de la France fille aînée de l'Église. J'aurai fait, manant, le voyage de terre sainte, j'ai dans la tête des routes dans les plaines souabes, des vues de Byzance, des remparts de Solyme ; le culte de Marie, l'attendrissement sur le crucifié s'éveillent en moi parmi les mille féeries profanes. - Je suis assis, lépreux, sur les pots cassés et les orties, au pied d'un mur rongé par le soleil. - Plus tard, reître, j'aurais bivaqué sous les nuits d'Allemagne.

Ah ! encore : je danse le sabat dans une rouge clairière, avec des vieilles et des enfants.

Je ne me souviens pas plus loin que cette terre-ci et le christianisme. Je n'en finirais pas de me revoir dans ce passé. Mais toujours seul ; sans famille ; même, quelle langue parlais-je ? Je ne me vois jamais dans les conseils du Christ ; ni dans les conseils des Seigneurs, - représentants du Christ.

Qu'étais-je au siècle dernier : je ne me retrouve qu'aujourd'hui. Plus de vagabonds, plus de guerres vagues. La race inférieure a tout couvert - le peuple, comme on dit, la raison ; la nation et la science.

Oh ! la science ! On a tout repris. Pour le corps et pour l'âme, - le viatique, - on a la médecine et la philosophie, - les remèdes de bonnes femmes et les chansons populaires arrangées. Et les divertissements des princes et les jeux qu'ils interdisaient ! Géographie, cosmographie, mécanique, chimie !...

La science, la nouvelle noblesse ! Le progrès. Le monde marche ! Pourquoi ne tournerait-il pas ?

C'est la vision des nombres. Nous allons à l'Esprit. C'est très certain, c'est oracle, ce que je dis. Je comprends, et ne sachant m'expliquer sans paroles païennes, je voudrais me taire.

¯¯¯¯¯¯¯¯

Le sang païen revient ! L'esprit est proche, pourquoi Christ ne m'aide-t-il pas, en donnant à mon âme noblesse et liberté. Hélas ! l'Évangile a passé ! l'Évangile ! l'Évangile.

J'attends Dieu avec gourmandise. Je suis de race inférieure de toute éternité.

Me voici sur la plage armoricaine. Que les villes s'allument dans le soir. Ma journée est faite ; je quitte l'Europe. L'air marin brûlera mes poumons ; les climats perdus me tanneront. Nager, broyer l'herbe, chasser, fumer surtout ; boire des liqueurs fortes comme du métal bouillant, - comme faisaient ces chers ancêtres autour des feux.

Je reviendrai, avec des membres de fer, la peau sombre, l'oeil furieux : sur mon masque, on me jugera d'une race forte. J'aurai de l'or : je serai oisif et brutal. Les femmes soignent ces féroces infirmes retour des pays chauds. Je serai mêlé aux affaires politiques. Sauvé.

Maintenant je suis maudit, j'ai horreur de la patrie. Le meilleur, c'est un sommeil bien ivre, sur la grève.

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On ne part pas. - Reprenons les chemins d'ici, chargé de mon vice, le vice qui a poussé ses racines de souffrance à mon côté, dès l'âge de raison - qui monte au ciel, me bat, me renverse, me traîne.

La dernière innocence et la dernière timidité. C'est dit. Ne pas porter au monde mes dégoûts et mes trahisons.

Allons ! La marche, le fardeau, le désert, l'ennui et la colère.

À qui me louer ? Quelle bête faut-il adorer ? Quelle sainte image attaque-t-on ? Quels coeurs briserai-je ? Quel mensonge dois-je tenir ? - Dans quel sang marcher ?

Plutôt, se garder de la justice. - La vie dure, l'abrutissement simple, - soulever, le poing desséché, le couvercle du cercueil, s'asseoir, s'étouffer. Ainsi point de vieillesse, ni de dangers : la terreur n'est pas française.

- Ah ! je suis tellement délaissé que j'offre à n'importe quelle divine image des élans vers la perfection.

O mon abnégation, ô ma charité merveilleuse ! ici-bas, pourtant !

De profundis Domine, suis-je bête !

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Encore tout enfant, j'admirais le forçat intraitable sur qui se referme toujours le bagne ; je visitais les auberges et les garnis qu'il aurait sacrés par son séjour ; je voyais avec son idée le ciel bleu et le travail fleuri de la campagne ; je flairais sa fatalité dans les villes. Il avait plus de force qu'un saint, plus de bon sens qu'un voyageur - et lui, lui seul ! pour témoin de sa gloire et de sa raison.

Sur les routes, par des nuits d'hiver, sans gîte, sans habits, sans pain, une voix étreignait mon coeur gelé : "Faiblesse ou force : te voilà, c'est la force. Tu ne sais ni où tu vas ni pourquoi tu vas, entre partout, réponds à tout. On ne te tuera pas plus que si tu étais cadavre." Au matin j'avais le regard si perdu et la contenance si morte, que ceux que j'ai rencontrés ne m'ont peut-être pas vu.

Dans les villes la boue m'apparaissait soudainement rouge et noire, comme une glace quand la lampe circule dans la chambre voisine, comme un trésor dans la forêt ! Bonne chance, criais-je, et je voyais une mer de flammes et de fumées au ciel ; et, à gauche, à droite, toutes les richesses flambant comme un milliard de tonnerres.

Mais l'orgie et la camaraderie des femmes m'étaient interdites. Pas même un compagnon. Je me voyais devant une foule exaspérée, en face du peloton d'exécution, pleurant du malheur qu'ils n'aient pu comprendre, et pardonnant ! - Comme Jeanne d'Arc ! - "Prêtres, professeurs, maîtres, vous trompez en me livrant à la justice. Je n'ai jamais été de ce peuple-ci ; je n'ai jamais été chrétien ; je suis de la race qui chantait dans le supplice ; je ne comprends pas les lois ; je n'ai pas le sens moral, je suis une brute : vous trompez..."

Oui, j'ai les yeux fermés à votre lumière. Je suis une bête, un nègre. Mais je puis être sauvé. Vous êtes de faux nègres, vous maniaques, féroces, avares. Marchand, tu es nègre ; magistrat, tu es nègre ; général, tu es nègre ; empereur, vieille démangeaison, tu es nègre : tu as bu d'une liqueur non taxée, de la fabrique de Satan. - Ce peuple est inspiré par la fièvre et le cancer. Infirmes et vieillards sont tellement respectables qu'ils demandent à être bouillis. - Le plus malin est de quitter ce continent, où la folie rôde pour pourvoir d'otages ces misérables. J'entre au vrai royaume des enfants de Cham.

Connais-je encore la nature ? me connais-je ? - Plus de mots. J'ensevelis les morts dans mon ventre. Cris, tambour, danse, danse, danse, danse ! Je ne vois même pas l'heure où, les blancs débarquant, je tomberai au néant.

Faim, soif, cris, danse, danse, danse, danse !

¯¯¯¯¯¯¯¯

Les blancs débarquent. Le canon ! Il faut se soumettre au baptême, s'habiller, travailler.

J'ai reçu au coeur le coup de la grâce. Ah ! je ne l'avais pas prévu !

Je n'ai point fait le mal. Les jours vont m'être légers, le repentir me sera épargné. Je n'aurai pas eu les tourments de l'âme presque morte au bien, où remonte la lumière sévère comme les cierges funéraires. Le sort du fils de famille, cercueil prématuré couvert de limpides larmes. Sans doute la débauche est bête, le vice est bête ; il faut jeter la pourriture à l'écart. Mais l'horloge ne sera pas arrivée à ne plus sonner que l'heure de la pure douleur ! Vais-je être enlevé comme un enfant, pour jouer au paradis dans l'oubli de tout le malheur !

Vite ! est-il d'autres vies ? - Le sommeil dans la richesse est impossible. La richesse a toujours été bien public. L'amour divin seul octroie les clefs de la science. Je vois que la nature n'est qu'un spectacle de bonté. Adieu chimères, idéals, erreurs.

Le chant raisonnable des anges s'élève du navire sauveur : c'est l'amour divin. - Deux amours ! je puis mourir de l'amour terrestre, mourir de dévouement. J'ai laissé des âmes dont la peine s'accroîtra de mon départ ! Vous me choisissez parmi les naufragés, ceux qui restent sont-ils pas mes amis ?

Sauvez-les !

La raison est née. Le monde est bon. je bénirai la vie. J'aimerai mes frères. Ce ne sont plus des promesses d'enfance. Ni l'espoir d'échapper à la vieillesse et à la mort. Dieu fait ma force, et je loue Dieu.

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L'ennui n'est plus mon amour. Les rages, les débauches, la folie, dont je sais tous les élans et les désastres, - tout mon fardeau est déposé. Apprécions sans vertige l'étendu de mon innocence.

Je ne serais plus capable de demander le réconfort d'une bastonnade. Je ne me crois pas embarqué pour une noce avec Jésus-Christ pour beau-père.

Je ne suis pas prisonnier de ma raison. J'ai dit : Dieu.

Je veux la liberté dans le salut : comment la poursuivre ? Les goûts frivoles m'ont quitté. Plus besoin de dévouement ni d'amour divin. Je ne regrette pas le siècle des coeurs sensibles. Chacun a sa raison, mépris et charité : je retiens ma place au sommet de cette angélique échelle de bon sens.

Quant au bonheur établi, domestique ou non... non, je ne peux pas. Je suis trop dissipé, trop faible. La vie fleurit par le travail, vieille vérité : moi, ma vie n'est pas assez pesante, elle s'envole et flotte loin au-dessus de l'action, ce cher point du monde.

Comme je deviens vieille fille, à manquer du courage d'aimer la mort !

Si Dieu m'accordait le calme céleste, aérien, la prière, - comme les anciens saints. - Les saints ! des forts ! les anachorètes, des artistes comme il n'en faut plus !

Farce continuelle ! Mon innocence me ferait pleurer. La vie est la farce à mener par tous.

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Assez ! voici la punition. - En marche !

Ah ! les poumons brûlent, les tempes grondent ! la nuit roule dans mes yeux, par ce soleil ! le coeur... les membres...

Où va-t-on ? au combat ? je suis faible ! les autres avancent. Les outils, les armes... le temps !...

Feu ! feu sur moi ! Là ! ou je me rends. - Lâches ! - Je me tue ! Je me jette aux pieds des chevaux !

Ah !...

- Je m'y habituerai.

Ce serait la vie française, le sentier de l'honneur !

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