Os pressupostos de eficiência gerencial e racionalidade técnica dos Estados ocidentais ainda estão completamente baseados no modelo burocrático weberiano, que vem se mostrando cada vez mais inadequado para que os Estados se relacionem com o mundo e seus dilemas nacionais internos. Ainda existem fortes vestígios de medievalismo na hierarquia dos cargos públicos, do primeiro ao último escalão; além de normas excessivamente rígidas,controles internos de procedimentos, contradições e zonas de indiscernibilidade ; tudo isso inviabiliza profundamente a qualidade, a rapidez e o baixo custo dos serviços prestados ao público. É necessário, antes de tudo, reduzir a papelada burocrática, a partir de um incremento sem precedentes dos meios eletrônicos governamentais, para se poder priorizar corretamente as necessidades e exigências dos cidadãos. De forma alguma se pode temer atribuir maior poder aos funcionários na ponta do Governo, para tomadas de decisões independentes. A otimização da ação governamental produz sempre mais e a menor custo. O ceticismo dos cidadãos quanto a capacidade do Estado em administrar a sociedade e satisfazer suas crescentes e complexas necessidades sociais anda maior do que nunca nos Estados Unidos, após oito anos de Governo Obama. O mal do Governo Obama, além de apostas erradas em projetos personalíssimos de natureza auto-consagratória , esteve também nos sistemas, estruturas, regras , procedimentos e leis que inibiam a capacidade criativa e emperraram a máquina governamental. Ele não soube se livrar disso, mantendo sua administração, muitas vezes, aquém dos princípios mais básicos a serem seguidos por um governo realmente empreendedor. Para evitar um desarranjo tão desastroso e improdutivo, nos próximos quatro anos, o Presidente eleito deve propor um governo catalisador,que distingue perfeitamente o timoneiro, aquele que dirige, daqueles que remam o barco, daqueles que fazem. Catalisar, do ponto de vista governamental, é promover e coordenar, mais do que prover diretamente. Valorizar a capacidade de comandados capazes de articular parcerias, promover soluções conjuntamente com empresas, organizações não-governamentais, a sociedade civil organizada, terceiro setor, e com os outros níveis e esferas do governo, garantindo que os serviços públicos sejam efetivamente prestados. A catalisação de ações governamentais torna o governo mais competitivo,capaz e quebrar monopólios e liberar as forças economicamente mais saudáveis do mercado. A idéia da missão governamental esteve presente em toda a campanha presidencial e seria uma pena que um tal espírito se perdesse durante a administração. É o espírito de missão governamental que , muitas vezes, permite vislumbrar ''estratégias'' ali onde todos só viam ''ações'' governamentais. Vislumbrar estratégias é a prioridade de um governo orientado para resultados concretos, cujos quadros estão permanentemente imbuídos da noção de desempenho, qualidade dos serviços prestados e busca continuada de soluções. O governo existe para servir o povo, que ''compra '' seus serviços, por isso o governo deve ganhar dinheiro com a''venda'' dos serviços públicos, em vez de só gastá-lo. Descentralizar o poder delega autoridade para a tomada de decisões mais próximas dos cidadãos. E a proximidade com os clamores das ruas, no que tiverem de positivo e construtivo, sempre ajudará o governo a antever, antecipar, prevenir e trabalhar ante s que os problemas aconteçam. Do contrário, a administração pública está condenada a se tornar um governo ''quebra-galhos'', como foram os oito anos os Presidente Obama: um governo que só fez buscar soluções de qualquer forma, muitas vezes atrapalhadamente, enquanto os problemas, novos e velhos, se acumulavam. Não se pode nem mesmo dizer que o Governo de Obama foi um governo orientado para o mercado, pois ele não usou devidamente nem mesmo os mecanismos do mercado que permitem oferecer melhores serviços e soluções públicas para a população americana.
K.M.
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