Apesar de tudo, Alsop era uma pessoa agradável . A expressão do seu rosto , típico da Nova Inglaterra, embora um pouco mais obscuro, constantemente sugeria que ele se livrara de tudo o que era supérfluo na vida e concentrara-se apenas no poder ; que se tratava de um homem que já vira todas as misérias e grandezas do século sem pestanejar ou suspirar , habilitando-se assim a penetrar em reinos mais profundos de pensamento a que quase ninguém tem acesso. Dava a impressão de realmente ter passado pelo ordálio anglo-saxão, e superado todo tipo de privações iniciáticas, vindo a aceitar corajosamente todas as responsabilidades envolvidas na posse dos ''grandes dons''. Aristocrata anglo-saxão até a medula, mas também mundano , duro, frio, obstinado, dando sempre a impressão de considerar-se um homem do destino ---- algum estilo americano aqui, devemos acrescentar . Segundo testemunhas, Alsop adorava contar histórias emociantes sobre suas experiências na China. '' Como sobre a 'Tina' de T´ang'' (ele dizia) '' Renovar: JIH ; HSIN ; Mais aquele olho luminoso: CHIEN ''. E contava tbm deliciosas pilhérias sobre senadores de Washington ; discorria sobre mobiliário do século XVIII com grande desenvoltura e erudição, mais antiguidades chinesas, arqueologia grega, filologia alemã e, claro, filosofia e literatura. Mas passava sem nenhum esforço da mais alta cultura para a gíria de GI. E era, nitidamente, bem mais do que um mero colunista sindicalizado. Via sempre o destino das nações numa perspectiva grandiosa, de uma luta cósmica entre o Bem e o Mal , do papel da América no século XX e de sua própria participação nos acontecimentos históricos. De um encontro com ele, qualquer um saía sentindo que Alsop até que carregava seu poder modestamente, porque havia poder demais envolvido e ele podia vir a ser usado de maneira arrasadora . Meu Deus: como esses homens (os ''Do Destino'' ) implicam com as pessoas (!) Aquela maldita ''Carta ao caro Amós'' falava de ''flagrantes intromissões estrangeiras '' e em ''intervenções premeditadas'' por parte de Israel nos assuntos internos dos Estados Unidos, criando terríveis dificuldades para Kissinger no Congresso, pressões dos amigos de Israel ---- e tais amigos não poderiam mesmo deixar de ser judeus americanos. Nessas ocasiões é que Alsop parecia-se um pouco com o General Brown do Estado -Maior conjunto e com Ernest Bevin em seus piores ataques megalomaníacos de anti-sionismo . Ben Gurion sempre teve o cuidado de distinguir entre anti-sionismo e anti-semitismo ; ninguém tinha Gurion na conta de anti-semita. O fato de que Israel ainda dependa dos Estados Unidos salta aos olhos ainda hoje. Ora: porque então um especialista em política internacional se sentiria tão tentado a tornar cruelmente explícito o que toda a gente podia ver com os próprios olhos ??????
K.M.
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