terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A complexa transição chinesa... 2


Em 2015, a intensificação da saída de capitais da China aumentou as dificuldades na equação emergencial do Banco Central chinês, que já era incrivelmente complexa. No último mês desse ano, mais U$ 108 bilhões deixaram o país e 2016 não começou nada bem, obrigando os chineses a intervenções imensas para evitar mais contração monetária, maior perigo então para os bancos , as para empresas ultra-endividadas e o crescimento do país. Em um único dia, o BC chegou realizar recompras reversas de U$ 67 bilhões, e só em janeiro de 2016 foram mais U$ 245 bilhões. A imaturidade do sistema para a conversibilidade mostrou-se flagrante. O yuan descolou-se do dólar, em escalada de valorização, e atrelou-se à um conjunto de divisas de parcerias comerciais. Desvalorização que , num ambiente de alto endividamento e desaceleração, ampliou a fuga de capitais para várias finalidades. O hedge das empresas tornou-se imediatamente crucial, emergencial, após terem considerado-o dispensável durante o período de  valorização do yuan, o que levou à quitação antecipada de boa parte das dívidas corporativas no exterior e intensificou a defesa dos patrimônios passíveis de conversão em dólares.  Em meio a todos esses erros grosseiros de política econômica, o Governo Chinês teve de intensificar ainda mais o controle de capitais para impedir o afluxo de dólares, orientando seus bancos a não estimularem a venda dos $50 mil dólares que os chineses podem sacar, o que impedia os bancos estrangeiros de remeterem dólares para fora e disparando autoritariamente ameaças de graves consequências legais para quem cometesse irregularidades cambiais. A melhor forma de defesa do yuan, no entanto, seria o câmbio livre, para o qual, entretanto, os chineses não tem preparo nenhum. Apesar do superávit em conta corrente quase de 2% do PIB e do enorme saldo comercial, de mais de U$ 600 bilhões, o Governo chinês mostrou, ao longo de 2016 inteiro, dificuldade e hesitação para conter a drenagem de reservas, mesmo dispondo de ótimas armas para tanto.


K.M.

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