Em 2015, a intensificação da saída de capitais da China aumentou as
dificuldades na equação emergencial do Banco Central chinês, que já era
incrivelmente complexa. No último mês desse ano, mais U$ 108 bilhões deixaram o
país e 2016 não começou nada bem, obrigando os chineses a intervenções imensas
para evitar mais contração monetária, maior perigo então para os bancos , as
para empresas ultra-endividadas e o crescimento do país. Em um único dia, o BC
chegou realizar recompras reversas de U$ 67 bilhões, e só em janeiro de 2016
foram mais U$ 245 bilhões. A imaturidade do sistema para a conversibilidade
mostrou-se flagrante. O yuan descolou-se do dólar, em escalada de valorização,
e atrelou-se à um conjunto de divisas de parcerias comerciais. Desvalorização que
, num ambiente de alto endividamento e desaceleração, ampliou a fuga de
capitais para várias finalidades. O hedge das empresas tornou-se imediatamente
crucial, emergencial, após terem considerado-o dispensável durante o período
de valorização do yuan, o que levou à
quitação antecipada de boa parte das dívidas corporativas no exterior e
intensificou a defesa dos patrimônios passíveis de conversão em dólares. Em meio a todos esses erros grosseiros de
política econômica, o Governo Chinês teve de intensificar ainda mais o controle
de capitais para impedir o afluxo de dólares, orientando seus bancos a não
estimularem a venda dos $50 mil dólares que os chineses podem sacar, o que impedia
os bancos estrangeiros de remeterem dólares para fora e disparando autoritariamente
ameaças de graves consequências legais para quem cometesse irregularidades
cambiais. A melhor forma de defesa do yuan, no entanto, seria o câmbio livre,
para o qual, entretanto, os chineses não tem preparo nenhum. Apesar do
superávit em conta corrente quase de 2% do PIB e do enorme saldo comercial, de
mais de U$ 600 bilhões, o Governo chinês mostrou, ao longo de 2016 inteiro,
dificuldade e hesitação para conter a drenagem de reservas, mesmo dispondo de
ótimas armas para tanto.
K.M.

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