domingo, 11 de dezembro de 2016

KALKI-KINDLEBERGER.

Durante anos a fio  o professor Charles P. Kindleberger lecionou no MIT (Instituto de Tecnologia de Massaschusetts) na condição de especialista em estrutura financeira. Ele enfatizava o papel dos países emprestadores como última fonte de recursos, chegando mesmo a criar uma teoria de que  os Estados Unidos deveriam funcionar como um banco, intermediando a condução do sistema financeiro internacional e provendo o mundo com liquidez. Seus estudos sobre balanço de pagamentos dos países como reflexo do nível de desenvolvimento de suas economias e estruturas de atividades são particularmente interessantes, naquilo que toca aos fatores de troca do comércio internacional e as causas do desequilíbrio estrutural dos balanços de pagamentos. Tal equilíbrio, obviamente, não pode ser analisado em termos puramente monetários,  devendo sê-lo também ao nível dos próprios produtos, e podendo ainda resultar de muitos outros fatores : a modificação da demanda internacional  ; mudança de técnica ou até mesmo de um fato institucional , como as tarifas aduaneiras ; citemos também a alteração da oferta nacional (perda de safras, etc) ou a perda de rendimentos no exterior. Em todos esses casos, o problema só poderia, segundo Kindleberger, ser resolvido  por transformações na estrutura econômica e por esforços especiais de adaptação e - ou inovação.  O desequilíbrio no balanço de pagamentos pode ainda ser provocado ao nível dos fatores de produção. Esse seria um caso flagrante de economia dualista,  onde o salários fossem mais elevados no setor de exportação do que nos setores industriais domésticos, e onde os investimentos da área de exportação não fossem absorvidos pelo conjunto da economia, conduzindo a uma inflação perigosa.  Há ainda um tipo secular de desequilíbrio, quando num país tomador de empréstimos o capital proveniente do exterior é insuficiente para financiar o excedente da importação, ou, no caso contrário,  quando as exportações de capital são inferiores à poupança do excedente de investimentos.  As relações entre poupança e investimento devem ser modificadas pela política monetária ou fiscal. De preferência, pela monetária, por ser menos ''traumática'' para a população. 

P.S:.

O livro de Kindleberger intitulado ''Manias, Pânicos e Quebras'' é um dos meus preferidos. Mas também gosto muito de ''O Mundo em Depressão'' e ''Movimentos Internacionais  do Capital de Curto Prazo''. Este último,diga-se de passagem, bastante poético.

K.M.

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