Ainda que a maior parte da ''polarização'' européia da atualidade resulte , em cada caso nacional, de fenômenos ligados à políticos específicos, o enfrentamento se generaliza em torno dos planos nacionais e, em muitos momentos, alcança inquestionavelmente o aspecto de um rechaço continental, como na questão da saída da União Européia. A soberania nacional já demonstrou ser o acontecimento mais aguardado pela população dos países que ainda a integram e a sombra do Brexit começa a se espalhar sobre toda a Europa. Para muitos europeus, cujo olhar, cuja desconfiança no olhar contra Bruxelas é forte e sutil o bastante para esse espetáculo de soberania, parece que algum sol deixou de iluminar o continente depois que o polvo tecnocrático da União Européia passou a governar o continente. Até mesmo o demônio midiático, que hoje faz correr dos holofotes artistas, jornalistas, escritores, patrões e todo mundo, deve ser compreendido como agente complementar dessa ''tecnocracia liberal''. Bem mais como auto-publicidade, sem ´duvida, em que as próprias ambições corporativas são tomadas pela vertigem da subjetividade intimista, onde o inimigo é sempre rotulado como um ''programa de extrema-direita'' ou de alguns setores da esquerda radical. Hitler e Rosa Luxemburgo contra o business como meio de construir para si um local economicamente confortável e um objetivo liberal estimulante na existência.Contra a mentira da propaganda liberal. Tanto Angela Merkel quanto Alex Tsipras, hoje em dia, são a favor de subordinar a independência nacional à consolidação da União Européia, mesmo sabendo que para os alemães o preço será sempre menor. Enriqueça às custas dos seus vizinhos mais pobres ! A estrutura narcisista do ego europeísta domina inclusive a economia. ''Carcasse, tu trembles ?? Tu tremblerais bien davantage, si tu savais, où je te mène '' , e que tenhamos que recorrer às palavras de um nobre francês dono de grandes porções de terras, como Vicomte de Turrene, marechal de Luís XIV, é algo que prova que o Velho Mundo parece diariamente mais obscuro, suspeito, estranho e ''velho'', muito ''velho'' mesmo. Esse campo político , cuja expressão mais bem acabada é Bruxelas, domina o mundo inteiro desde a Segunda Guerra Mundial, e a crise que atravessa agora é o principal sintoma da perda da Grande Bússola. Podemos dizer que a nova onda nacionalista é grande demais até mesmo para a Troika, e afastado demais da capacidade de compreensão da maior parte da mídia liberal. Para eles, o assunto nunca deixou de ser uma questão de proteger o dinheiro dos privilegiados que podem gozar privadamente dos bens e serviços de uma vida moderna estruturada apenas ''para si mesmos'', mesmo quando, a olhos vistos, esta crença se encontra enterrada em todos os cantos do mundo. Essa longa sucessão e grande quantidade de rupturas institucionais, destruições e erosões sócio-econômicas, e todos os outros tipos de derrocada que estão por vir, coloca contra a parede essa nova classe de managers que são os Gamesmen da Troika: Banco Central Europeu, Comissão Européia e Fundo Monetário Internacional). Até mesmo nós, decifradores de enigmas, que os aguardamos no alto das montanhas, entre hoje e amanhã, que chegamos primeiro no século seguinte, já podemos ver as sombras que envolverão a Europa caso o risco liberal ganhe uma nova coloração política e se perpetue, agora não mais como o arrivismo conquistador do paradigma semita, mas como a pior forma de narcisismo político: atento a si mesmo e a seus interesses ulteriores, às vibrações íntimas do estardalhaço liberal da mídia, ao escalão social do prestígio e seus perfis de carreira política sem nenhuma identificação com projetos em que o interesse nacional apresente-se como algo defensável. Mas o mar está novamente aberto para a Europa. A capacidade das elites de se organizarem em tecnocracias opressivas continua colossal, e as dificuldades para se constituir um bloco social que exiba um projeto de ruptura permanecem grandes, mas ainda assim, muitos navios já zarparam de encontro à excitação da aventura e do risco com sucesso. Toda a ousadia dos que querem ter mais conhecimento e autonomia está novamente permitida.
K.M.
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