O bilionário Warren Buffet declara tranquilamente que ''alguns duvidam da existência de uma luta de classes ; com certeza existe uma luta de classes, e é a minha que a está vencendo ''. A financeirização do mundo aprofundou as desigualdades sócio-econômicas e a casta dos muito ricos ficou ainda mais estreita e concentrada. As classes médias incharam, mas a precarização do mercado de trabalho abriu um abismo de insegurança sob seus pés. O projeto democrático- capitalista de eliminar, através do desenvolvimento, as classes pobres não só reproduz no seu interior o ''povo dos excluídos'' , mas transforma em vida nua (leia-se: estado de exceção) a vida de todas as populações do Terceiro Mundo e dos excluídos que ''pertencem'' ao Primeiro. Somente uma política que tiver sabido prestar contas da cisão biopolítica fundamental do Ocidente poderá deter essa oscilação e colocar um fim na guerra civil que divide os povos e as cidades da terra. A obsessão do desenvolvimento é tão eficaz no nosso tempo porque coincide com o projeto biopolítico de produzir um povo sem fraturas. Observando bem, aliás, aquilo que Marx chama de ''luta de classes'' e que, mesmo permanecendo substancialmente indefinido em sua obra, ocupa um posto muito central em seu pensamento, não é senão essa ''guerra interna que divide cada povo e que no nosso tempo sofreu um última e paroxística aceleração com a fusão da política com o mercado financeiro. O conceito de povo já traz em si a fratura biopolítica fundamental: ele é aquilo que não pode ser incluído no todo do qual faz parte e não pode pertencer ao conjunto no qual já está desde sempre incluído. Ou seja, tudo ocorre como, ou todos esses bilionários falam como se - aquilo que chamamos povo fosse, na realidade, não um sujeito unitário (O POVO AMERICANO , O POVO GUATEMALTECO, ETC ) mas uma oscilação dialética entre dois polos opostos: de um lado, o conjunto Povo como corpo político integral, que só existe nas Constituições e manuais de Direito Constitucional, e de outro, o subconjunto 'povo' como multiplicidade fragmentária de corpos necessitados e excluídos, ; digo: No discurso oficial , o povo ,os trabalhadores, a mão de obra, etc, uma inclusão meramente teórica, desmentida por todos os números da economia, que almeja ser sem resíduos ; e no ''plano da vida'' , como se diz no direito romano , uma exclusão que se sabe totalmente sem esperanças, confirmada por todos os números da economia.
K.M.
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