A demanda efetiva pode realmente vir a aumentar se o Estado gastar mais, embora isso não seja motivo para se mergulhar um governo inteiro na heterodoxia adrenalínica e irresponsável. A visão da balança comercial do novo Presidente, que discerne entre perdedores e ganhadores de uma lado e do outro das negociações, é indiscutivelmente saudável e condizente com os tempos atuais. A disposição para investir maciçamente em infra-estrutura também está voltada para a questão comercial, em última instância, ainda que o modelo ideal para tais investimentos sejam parcerias público-privadas. Exportando mais do que importando, com certeza cria-se um cenário mais propício para o aumento da demanda, ainda que a decisão básica permaneça nas mãos do setor industrial : se eles investirem mais, a produção e os lucros aumentarão até o ponto em que os lucros acumulados (a poupança) se tornarão equivalentes ao investimento. A insuficiência dos investimentos é o que fode a economia, e piora ainda mais quando a poupança cresce em excesso devido à baixa dos salários reais. Kalecki, pelo jeito, só criou juízo depois que foi trabalhar com Keynes, que com notável brilhantismo, havia roubado suas melhores idéias em 1936 para escrever sua Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Em seu livro '' Estudos de Dinâmica Econômica '', Kalecki destaca o equilíbrio orçamentário e o comércio internacional como os principais regentes dos ciclos econômicos, destacando, no entanto, que a duração e a profundidade das crises de cada país dependem diretamente das decisões políticas. Em seu mais profético artigo, ''Aspectos Políticos do Pleno Emprego '', fica clara sua confiança na idéia de que as crises cíclicas podem ser superadas pelas políticas econômicas corretas.
P.S:.
Lembremos que o causou a demissão de Kalecki da ONU foi a edição de seus Relatórios Sobre Economia Mundial, quando passou a sofrer terríveis pressões políticas por parte de representantes do governo americano.
K.M.
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