quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Acerto de contas tem quase todo dia.

Graças a decisão de Obama de evitar qualquer presença por terra senão a de conselheiros e formadores das tropas iraquianas, o Pentágono  viu-se obrigado a duvidar sistematicamente da capacidade do Exército iraquiano de alcançar seus objetivos com rapidez. Nenhuma presença por terra , mas um uso intensivo da aviação para enfraquecer a Jihad e ''caçar'' seu comando. As operações terrestres são conduzidas pelo Exército e pela polícia iraquiana, apoiados por diversas forças adicionais, entre as quais milícias xiitas e os pehsmergas do PDK. Especialistas americanos, franceses, britânicos e iranianos dão suporte estratégico às ações e a coalizão internacional os apoia com ataques aéreos ''surpresa''.  

Qualquer nova derrota do Exército iraquiano sempre volta a colocar em cheque a ''estratégia'' de Obama, e aumentam as chances de que outros atores armados venham a se impor. Grupos paramilitares xiitas são os que causam maior apreensão, apesar de lutarem do mesmo lado que a coalizão, pois Washington teme que sejam eles os primeiros a penetrarem nos territórios liberados, onde a ampla maioria da população é sunita. 

Nos combates precedentes no ''triângulo sunita'',  a retomada de vilarejos e cidades das tropas do Estado Islâmico deu lugar a picos de violência contra civis, injustamente acusados (como num tribunal de exceção improvisado) de terem ''colaborado'' com a Jihad, como se tivessem tido alguma escolha.  Há entre elas o Hachd al-Chaâbi, mantido exclusivamente pelo dinheiro do governo iraniano, contra o qual a Anistia Internacional apresentou algumas provas de execuções sumárias, torturas e detenções abusivas contra a população sunita em junho deste ano, durante a tomada de Faluja. 

A meu ver, os seguidos episódios de ''ajustes de contas'', tendo como pano de fundo a rivalidade sectária entre xiitas e sunitas, agrava o passivo de aliados americanos na região e esvazia a retórica de Washington contra Moscou , em razão dos bombardeios de civis em Alepo.


K.M.

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