Em uma passagem capital da obra ''Ética a Nicômaco '', Aristóteles se questiona quanto à existência de um ''ergon'', uma ''obra própria '' do homem, um sentido em ação no seu ser ; ou se o homem não seria antes totalmente ''argos'', sem obra, inoperoso e , na minha opinião, sem sentido. Os conceitos de Bom e de Bem, na filosofia grega clássica, parecem consistir nesse ergon, e assim deveria ser para os homens , admitindo e buscando algo em suas vidas que seja esse ''ergon''. É certo que um excesso parasitário de funcionários públicos não representa nada mais do que os escombros do liberalismo frouxo, uma administração desprovida de pontos de referência, de conceitos norteadores, nascida ''argos'', sem obra, sem sentido. Retrato do funcionalismo público como mera aparelhagem do Estado. Existe parasitismo no funcionalismo público quando a administração é um ''argos'', não definida por obras próprias, isto é: nenhuma identidade e nenhuma vocação; de modo que essa ''argia'' parasitária, essas inoperosidades, são assumidas pelo governo sem nunca se tornarem parte de um missão nacional ou patriótica, a ponto de transformar a política de todo um país na mais pura exposição da ausência total de obras, e de sua indiferença absurda a todo conceito de tarefa política e social.
K.M.
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