sábado, 15 de outubro de 2016

Um outro tipo de riso.

Quando se medem os efeitos da marginalidade publicitária numa eleição que se pretende tão ''democrática'' , tomamos um susto. Não se pode mais sustentar a tese do ''two step flow of communication '', afirmando que a mídia é a única influencia vetorial nas pesquisas de intenção de voto. A gangue dá a guerra, os jornais a notícia. Comparada à Caixa de Pandora do Agente Chantagista Oculto, a mídia torna-se menos decisiva que a comunicação interpessoal, onde os líderes de opinião expõe-se à todo tipo de extorsão, ameaça e intimidação. No país inteiro assiste-se agora a DESESTABILIZAÇÃO do próprio eleitorado, cujo caráter '''indecidível'' é muito maior do que se supõe. O comportamento do eleitorado padrão e o do consumidor pragmático e indeciso são quase o mesmo. A mídia não consegue abalar a fé do eleitor convicto, e isso é um fato; antes reforça suas opiniões (ao questioná-las) do que as altera. E os mecanismos de sedução do Partido Democrata  parecem falidos para fazer uma ''grande colheita''. O sentido farisaico da Justiça, redescoberto pelo povo americano nos últimos meses, tem sido o maior obstáculo para o avanço de Hillary Clinton. O gosto pelo ''sucesso superficial'' arruinou sua campanha a partir  de dentro. A obsessão pelo ''êxito festivo'' tornou-se uma espécie de complemento anti-natural de sua propaganda, responsável  direto por desencadear o fogo cruzado de reprovações indignadas dentro do próprio partido. Conhecemos o refrão oculto de sua campanha: hipnotizar as lideranças sociais, para que elas façam o trabalho sujo nas ruas. Política de troca de favores que mascara os problemas sociais de fundo e entorpece a capacidade de raciocínio e julgamento do povo em proveito de reações emocionais vazias e sentimentos irracionais debilitantes para inteligência. A ''simpatia'' com que pretendem, e até certo ponto conseguem, infantilizar uma grande quantidade de cidadãos, está presente em todos os seus gadgets e imagens pervertidas da realidade. Porque precisam desesperadamente atingir o eleitorado mais amplo, o discurso democrata apaga os verdadeiros conteúdos e os aspectos mais dramáticos e controvertidos de seus programas, sua falta de soluções críveis para a segurança e a economia, substituindo-os por uma ''plataforma indolor'' que satisfaça gregos e troianos. O discurso torna-se homogêneo e desvitaliza o senso crítico da massa arruinada. Imaginemos agora que todos os signos políticos da América tenham de fato sido ''preenchidos'' por esse ''vazio programático'' de Hillary e sua gangue transnacional, e que isso tenha redimido a culpa no eleitorado que seguirá fiel à ela até o fim da campanha. Enfim, que a mentira democrata tenha satisfeito todas as demandas imaginárias que ela mesmo criou e proferido tudo que podia ser dito para tornar os problemas estruturais da nação invisíveis ----- no que teria então se transformado a vida do povo americano neste momento ? Um jogo de distrações em que ''problemas vitais'' não chegam nem mesmo a ser aflorados. Mas, supondo que esse mesmo eleitorado fiel sentisse, subitamente, vontade de rir ou chorar, porque coisa ele  riria ou choraria, o que poderiam saber esse riso ou esse choro, se , descobrindo-se prisioneiros do cabresto midiático e alienante da propaganda democrata, seu eleitorado se visse impedido de ir além do papel de figurante nessa comédia ou tragédia política, barrado pelos limites e insuficiência da própria linguagem que utilizam para pensar ? No lugar onde constatassem o perfeito acabamento publicitário dessa linguagem, perfeitamente delimitada pela mentira mais pervertida e perigosa, começaria de repente outro tipo de riso, um riso furioso, intratável e indignado, banhado pelo pranto e a vergonha.

K.M.

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