Por suas contínuas
demonstrações de abuso do poder, e do uso de um jargão publicitário radical, o
Partido Democrata poderia ser comparado aos antigos partidos comunistas do
Leste Europeu; assim como estes foram, o Partido Democrata é uma burocracia
política fortemente incrustada na economia nacional e global. Acontece que o
Partido Democrata não é um partido ideológico, e sim um grupo que representa
interesses econômicos muito específicos, quase nominais, em outras palavras,
ele representa os próprios interesses, circunstância que, além de favorecer
todo tipo de venalidades estelionatárias, nunca salvou um único eleitor
americano do rebaixamento da qualidade
de vida, do amargor e do desespero que ceifaram o mundo operário nas últimas
décadas. A variedade dos interesses econômicos que coexistem no interior do
Partido Democrata podem, ainda, torná-lo semelhante ao Partido do Congresso da
Índia, só que o Partido Democrata é dominado por um grupo de hierarcas que, por
sua vez, prestam obediência cega às transnacionais e sua agenda globalizante de
exploração da mais-valia do terceiro mundo. Ao assegurar a continuidade de tais
interesses no governo Obama, o Partido tornou-se o instrumento mais azeitado do
1% mais rico da América, deixando um rastro de falência espalho pelo país que
reduziu bilhões de dólares em
investimentos a nada, além de um vigoroso exército de 11 milhões de imigrantes
clandestinos que os acordos comerciais iníquos e a indiferença de Washington
pela pobreza das camadas populares transformaram progressivamente numa
perigosa malta de bandidos e assassinos galopando nos lucros da epidemia de
heroína e cocaína. Mas nenhum de nós jamais esperou outra coisa: a classe-média
americana só veio perdendo qualidade de vida desde o fim do segundo mandato de Bill
Clinton, quando se iniciou a derrocada definitiva do mercado interno e a
desconstrução sindical. Além do mais , o principal responsável por minar
completamente a confiança do mercado financeiro foi a administração de Bill
Clinton, no ponto exato onde volta assaltar a nossas vistas o relacionamento
orgânico entre a instituição presidencial e os grupos de interesses econômicos
megalomaníacos; desde os anos 1990, duas realidades complementares. Resposta à
uma situação histórica de crise cíclica do capitalismo, representando um
compromisso da elite financeira com os traficantes de votos da Casa Branca para
instalarem nela uma ''ditadura pessoal'' na crista do mundo branco, disfarçada
de programa democrático com virtudes morais abstratas. Os defeitos e aberrações
que resultam de tais pactos são óbvios, como a defesa da lei Dodd- Frank pela
plataforma de Hillary Clinton, que pretende criar mecanismos ainda mais
sofisticados que os de Barack Obama para o financiamento facilitado das
instituições bancárias que apóiam sua campanha. Certos impulsos fortes e
perigosos, como a audácia corruptora que vela tais iniciativas, a astuciosa sede de rapacidade
sem nenhum utilidade pública, parece assegurada e estabelecida na plataforma
democrata, onde não se encontra mais nenhum indício de preocupação séria com a
diversificação da economia nacional, no sentido de torná-la menos vulnerável e
dependente dos deslocamentos das grandes corporações pelo mundo. O hiato entre
problemas e soluções nunca foi tão ameaçador numa candidata à Presidência dos
Estados Unidos quanto em Hillary Clinton. As condições desvantajosas em que
suas idéias pretendem mergulhar de uma só vez amplos setores da economia
americana, em benefício do comércio internacional, limitando-o à uma número
cada vez mais concentrado de ''grandes atores econômicos'', são incompreensíveis e profundamente
perturbadores em alguém que deve ''representar os anseios do povo''. Também
aqui a pusilanimidade torna-se novamente a
''mãe da moral''. Imagine só a dimensão dos erros de negócios que serão
encobertos por uma tal administração, a extensão catastrófica de suas
consequências estruturais, num raio de quatro, oito anos, regidos pelas reações
políticas mais contraditórias e injustificáveis possíveis.
K.M.
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