sábado, 22 de outubro de 2016

Instrumento azeitado do 1% mais rico.

Por suas contínuas demonstrações de abuso do poder, e do uso de um jargão publicitário radical, o Partido Democrata poderia ser comparado aos antigos partidos comunistas do Leste Europeu; assim como estes foram, o Partido Democrata é uma burocracia política fortemente incrustada na economia nacional e global. Acontece que o Partido Democrata não é um partido ideológico, e sim um grupo que representa interesses econômicos muito específicos, quase nominais, em outras palavras, ele representa os próprios interesses, circunstância que, além de favorecer todo tipo de venalidades estelionatárias, nunca salvou um único eleitor americano do rebaixamento  da qualidade de vida, do amargor e do desespero que ceifaram o mundo operário nas últimas décadas. A variedade dos interesses econômicos que coexistem no interior do Partido Democrata podem, ainda, torná-lo semelhante ao Partido do Congresso da Índia, só que o Partido Democrata é dominado por um grupo de hierarcas que, por sua vez, prestam obediência cega às transnacionais e sua agenda globalizante de exploração da mais-valia do terceiro mundo. Ao assegurar a continuidade de tais interesses no governo Obama, o Partido tornou-se o instrumento mais azeitado do 1% mais rico da América, deixando um rastro de falência espalho pelo país que reduziu  bilhões de dólares em investimentos a nada, além de um vigoroso exército de 11 milhões de imigrantes clandestinos que os acordos comerciais iníquos e a indiferença de Washington pela pobreza das camadas populares transformaram progressivamente numa perigosa malta de bandidos e assassinos galopando nos lucros da epidemia de heroína e cocaína. Mas nenhum de nós jamais esperou outra coisa: a classe-média americana só veio perdendo qualidade de vida desde o fim do segundo mandato de Bill Clinton, quando se iniciou a derrocada definitiva do mercado interno e a desconstrução sindical. Além do mais , o principal responsável por minar completamente a confiança do mercado financeiro foi a administração de Bill Clinton, no ponto exato onde volta assaltar a nossas vistas o relacionamento orgânico entre a instituição presidencial e os grupos de interesses econômicos megalomaníacos; desde os anos 1990, duas realidades complementares. Resposta à uma situação histórica de crise cíclica do capitalismo, representando um compromisso da elite financeira com os traficantes de votos da Casa Branca para instalarem nela uma ''ditadura pessoal'' na crista do mundo branco, disfarçada de programa democrático com virtudes morais abstratas. Os defeitos e aberrações que resultam de tais pactos são óbvios, como a defesa da lei Dodd- Frank pela plataforma de Hillary Clinton, que pretende criar mecanismos ainda mais sofisticados que os de Barack Obama para o financiamento facilitado das instituições bancárias que apóiam sua campanha. Certos impulsos fortes e perigosos, como a audácia corruptora que vela tais  iniciativas, a astuciosa sede de rapacidade sem nenhum utilidade pública, parece assegurada e estabelecida na plataforma democrata, onde não se encontra mais nenhum indício de preocupação séria com a diversificação da economia nacional, no sentido de torná-la menos vulnerável e dependente dos deslocamentos das grandes corporações pelo mundo. O hiato entre problemas e soluções nunca foi tão ameaçador numa candidata à Presidência dos Estados Unidos quanto em Hillary Clinton. As condições desvantajosas em que suas idéias pretendem mergulhar de uma só vez amplos setores da economia americana, em benefício do comércio internacional, limitando-o à uma número cada vez mais concentrado de ''grandes atores econômicos'',  são incompreensíveis e profundamente perturbadores em alguém que deve ''representar os anseios do povo''. Também aqui a pusilanimidade torna-se novamente a  ''mãe da moral''. Imagine só a dimensão dos erros de negócios que serão encobertos por uma tal administração, a extensão catastrófica de suas consequências estruturais, num raio de quatro, oito anos, regidos pelas reações políticas mais contraditórias e injustificáveis possíveis.


K.M.

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