Abraham Abulafia foi um cabalista espanhol, nascido em Zaragoza (1240-1291) que viveu em Tudela e viajou pela Terra Santa em 1260. Logo se instalou na Itália a partir de onde viajou á Barcelona e á Grécia em 1271 y 1273, respectivamente. Em 1280 foi á Roma com o objetivo de converter ao judaísmo o papa Nicolás III. Na Sicília anunciou a chegada do Messias para o ano 1290. Entre outras obras escreveu um comentário á Guia de perplexos de Maimónides.
A partir de1258 Abulafia visita o Oriente, Grécia e Itália. É influenciado por Baruch Togarmi, que escreveu uma ''Chave da Cabala'' ao Séfer Ietzirá. Desde 1270 de volta á Espanha, sofre em Barcelona sua primeira experiência de êxtase profético.
Nos países mediterrâneos Abulafia se apresentou como o Messias; afirmava que a esperança mesiânica dos judeus havia se cumprido com ele mesmo. Intentou em 1281 converter ao judaísmo o papa Nicolás III. No entanto, este morreu na noite anterior antes da chegada de Abulafia. Abulafia logra a duras penas escapar da fogueira e é liberado em 28 dias no colégio dos fransciscanos.
Seus últimos anos passou viajando pela Itália e desde 1291 se perde seu rastro. Provavelmente morreu em Barcelona 1292.
Abulafia recompilou 26 escritos teóricos, dos quais se conservam vários, e 22 obras proféticas, das quais se conservou apenas o "Sefer ha'Oth".
Abulafia defendia que o homem em estado de êxtase tem acesso ao seu ser profundo nas regiões superiores da mente de Deus. Queria popularizar um método de conhecimento místico chamado ''CAMINHO DAS IDÉIAS''. Essa disciplina o completava o 'CAMINHO DO SEFIROTH''. Seus ensinamentos mostram paralelismo com a yoga e o tantra.
Entre seus discípulos está Josef Gikatilla.
Anécdota
No livro ''Y SEREIS COMO DEUSES'' Erich Fromm diz que ''em 1284 Abraham Abulafia, de Tudela, anunciou sua pretensão de ser o Messias e que o ano de 1290 seria o de sua aparição messiânica. Mas uma carta escrita por uma das autoridades rabínicas da Espanha, o Rabí Salomão Ben Adret, fez com que seu plano fosse por água abaixo quase que imediatamente. Abulafia, no entanto, seguiu intrépido no caminho da anarquia (Paidós, 1960, p. 129).
Post Scriptum
Eu sou realmente devoto da magia das palavras e sempre considerei que O CRIACIONISMO, O DADAÍSMO, O SURREALISMO, junto á HIEROGLÍFICA imemorial são uma possibilidade operativa de realizar a abertura do verbo ao rasgo fundamental da DIVINDADE de fazer cifras com analogias... língua adâmica e naturalmente turbulenta que me faz pensar novamente em ABULAFIA, o cabalista que queria converter o papa Nicolás III ao Torá que ele ensinava precedendo em séculos o SURREALISMO no uso caótico y exclusivamente fónico das palavras para buscar estados intensificados de consciência...
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