quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandón do pidgin Joss (31)

A pressão política sobre mim estava passando dos limites ---- falsas acusações, depredações do meu patrimônio intelectual, ameaças de demissão, e o aparecimento do meu nome em várias listas negras que surgiam sem parar na internet inteira. Queriam transformar o acusador em acusado. Apesar de tudo, a crise no meu relacionamento amoroso ainda não era ‘’a’’ crise. Claro, eu sabia correr riscos de ambos os lados, e no final pensava que as duas coisas se tornariam uma só, naturalmente; mas no momento eu ainda era capaz de mantê-las separadas. Fiz o caminho para o novo apartamento com Miss Rogoff conversando com ela numa voz que parecia nascer das profundidades do meu corpo. Minha ‘’autoconsciência’’, como ela disse, capturava minha sensibilidade sobre a corda da minha voz. Mas o que estava além do desejo ( eu pensava) nenhuma voz poderia exprimir. Dentro de mim, no entanto, eu possuía o ductus fluido de um apontamento sumário, que muitas vezes me alertava sobre ‘’erros ‘’ e ‘’enganos’’, e que eu chamava a me servir de suporte na maioria dos meus encontros. Naquele momento, o ductus fluía nas veias do atrito, me fazendo rir da suspeita que Liz lançava sobre mim e o meu trabalho. Sentia-me inclinado a fazer piadinhas com a ‘’Fera’’. Ela queria que eu me submetesse aos seus ’’testes’’ sem recriminações, protegendo-se por trás do seu prestígio social e fingindo que estava tentando fazer alguma coisa importante por mim. E certamente faria, a julgar pelo seus gestos. Mas o que dizer de todos os meus negócios inacabados (?) Para mim, tudo que eu fazia e sentia era uma façanha, e sem tocar no assunto, sem praticamente falar, eu tentava comunicar disso alguma coisa à ela, fortificá-la em seu pensamento. E mesmo não podendo identificá-la com precisão, ela queria saber mais: ----- Seu compromisso comigo é o de se purificar um pouco, antes de mais nada(.) Lembra (?) Não vou mais tolerar esse sentimento de traição que você instala em mim sutilmente, sem nunca revelar nada (.) ------, ela disse. Para justificar todo meu esforço psicológico naquele momento, disse para mim mesmo que tudo estava perto de desabar . ------ Você sabe que se meter ‘’certas coisas’’ no meio do nosso assunto, acabaremos sem nos falar para o resto da vida. Não sabe (?) -----, perguntou-me. Aquilo já era uma pontinha de briga séria, nada agradável. Quando Liz discutia sobre as ‘’coisas que mais importavam para ela ‘’, nunca se dava por vencida. Sobretudo naquela ocasião, em que ter meu espaço próprio representava uma maior propensão à não me importar de sair perdendo. Ela olhava firme para mim, batendo firme seus dedos sobre a mesa da sala. Turbulenta, ela tentava distorcer a questão, atropelando tudo o que eu dizia com : ------ ‘’Não insulte minha inteligência (!) ‘’ ------, sua energia para brigar era impressionante: ------ Não dou a mínima se ninguém a não ser eu entendo essas coisas (!) Se você tivesse a menor idéia de como a sociedade americana está organizada, já teria modificado seu comportamento(.) -----, bradava ela. E se punha especialmente incendiária quando tentava me botar no lugar como mero escrevinhador da internet: ------ O que odeio com mais raiva em você é me pedir ‘’Por favor, explique-me de que diabo você está falando ‘’ (.)-----, parecia não existir, para ela, em tudo o que eu fazia ou dizia, nem um mínimo detalhe sem importância, . Tudo que ela pensava, justamente porque era’’ela ‘’ quem pensava, tinha que ser ‘’decisivo’’. E ela realmente pretendia encontrar alguma validade nisso. ----- Sua teimosia é algo impressionante, K (.) De fato, não é um cara mole de se convencer (.) E olha que eu sei , como ninguém, persuadir os outros de que estou falando sério; mas o seu antagonismo parece inesgotável (!) -----, ela disse. Aquilo me fazia sentir a pressão por todos os lados do espectro social, o que me preocupava. Eu me perguntava que tipo de ‘’narrativa’’’ seria capaz de produzir uma condição mais favorável para mim. Em todo caso, a tensão nervosa dela era um dique que resistiria (eu pensava) à corrente de qualquer narrativa. Restava-me apenas constatar que seria derrubado a qualquer momento . Parecia-me impossível, então, induzir nela uma inclinação suficientemente forte para arrastar para o mar do esquecimento feliz todos os motivos para brigar comigo que ela encontrava pelo caminho. ------ Você só anda na companhia de moças duvidosas (.)  Tudo o que me impele para você, ora nesta, ora naquela ocasião, é puro acidente (.) Você se considera um ator grandioso, capaz de representar na vida real qualquer papel ... mas não é ator coisa nenhuma, apenas tem a cara de pau de se meter em qualquer confusão e pôr aboca no mundo como um maluco (.) Isso (realmente) nunca lhe faltou. Mas ser um ator (?) JAMAIS (!) , você representa todos os papéis do mesmo jeito. Sempre aquele papo furado sobre arte e vida, como se estivesse jogando cartas num canto enfumaçado (.)   Você deve se olhar no espelho e se considerar um instrumento da história... que a história o trouxe para a capital do mundo para corrigir os erros da sociedade, enquanto os seus ficam por isso mesmo  (.) Sua única vocação real é para ser alguém ininteligível. Um terreno eternamente por explorar. Dois pontos, reticências... é isso, então (?) ‘’Uma outra maneira de se aproximar da vida ‘’ (?) de ‘’tocar o mundo ‘’ (?), como você diz... E o que esperar disso (?) Descobrir coisas estranhas sobre a mente humana, condensar em pensamentos alguma essência secreta de experiências mentais  (?) Entramos no meio de alguma situação confusa e agora teremos que concluí-la(.)  Resta descobrir como (.) ------, ela disse.



K.M.

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