domingo, 23 de outubro de 2016
À l´assaut de la Maison Blanche'
No ensaio ''À l´assaut de la Maison Blanche'', o historiador Bhaskar Cosío afirma que o governo de Barack Obama se transformou num prisioneiro do mercado financeiro e que assim paga pelo seu erro: ter confiado aos tratados de livre-comércio uma parte essencial dos seus planos frustados de reativação industrial e desenvolvimento sócio-econômico. Mas essa afirmação pode ser enriquecida ressaltando-se o programa de pauperização da classe-média que Obama levou à cabo conscientemente, pretendendo empurrar esse imenso contingente social em apuros para a dependência das redes de assistencialismo de seu governo. À esta circunstância acrescentaríamos outra: a criação de uma burocracia paralela ao Estado americano, além da dos técnicos e administradores; Cosío observa que essa nova classe de ''agente político'' poucas vezes ocupa cargos e postos oficiais, embora muitos políticos passem, por intermédio deles, dos assuntos públicos para os negócios privados, algo bem exemplificado nos próprios planos pessoais do Presidente Obama, de realizar ''investimentos acionários '' nos setor tecnológico americano. A crítica independente americana,e alguns intelectuais orgânicos sem vínculos políticos, especularam em 2008 com a possibilidade do Governo Obama, valendo-se precisamente da ''força'' dos setores populares que o Partido Democrata manipula nas eleições, viesse a enfrentar essas influências corporativas dentro da Casa Branca. Mas em poucos meses tais esperanças foram dissipadas. Para enfrentar os banqueiros e financistas, o Governo deveria ter buscado a emancipação política e econômica das classes populares, fortalecendo e ampliando a classe-média do país, coisa que não fez nem quis fazer. A política econômica de desenvolvimento de Obama não obedeceu à uma agenda integral e nacional de longo prazo. Assim, as regiões que sediam grandes corporações foram objeto constante da solicitude e dos créditos do Governo, enquanto o resto do país foi abandonado. Obama não atacou em momento algum a fraqueza do mercado interno americano, ampliando-o e aumentando o poder aquisitivo do povo. Preferiu aderir ao Status Quo e substituir os planos de desenvolvimento sócio-econômico por um dilúvio demagógico de polêmicas identitárias, incitando os pobres contra a polícia. Como se fosse a polícia a culpada pelo cenário de profunda divisão social e descontentamento.
K.M.
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