terça-feira, 18 de outubro de 2016
Ópio do povo.
A guinada para o dinheiro corporativo dos ''Novos Democratas'' começou nos anos 1990, com os tratados de livre-comércio, o boom penitenciário, a desregulamentação financeira e a corrosão salarial ----- o que vem obrigando Hillary Clinton a mentir alucinadamente, para segurar os votos de Bernie Sanders, que para ela, no fundo, são tão deploráveis quanto os de Donald Trump. Ela certamente não avançou muito neste sentido, referindo-se à eles como uma espécie de escória que não merece atenção. Diagnóstico feito durante uma festa em Nova York exclusiva para uma platéia de ''gente admirável'' ----- já que pagaram caro para ouvi-la.
O teatro de variedades que sua campanha sempre oferece à um público idiotizado pelo achatamento dos conteúdos é o ''ópio do povo''. A candidata do Establishment se vale do ''Star System'' por carecer dos talentos dos grandes comunicadores. Mas se o Star System unifica tendencialmente a personalização da política, deixa de lado as questões cruciais, prolongando no cenário da disputa presidencial os elementos irracionais e afetivos, subjacentes à colonização psicológica do povo pela elite.
Mas a elite dominante, corporativa, bancária, que se encontra por trás dessas manifestações festivas, já não possui muita altivez: é feita da mesma carne que o populacho. Meros desencadeadores de paixonites agudas, produtores de sonhos vagos, marketeiros que não cessam de banalizar a cena politica, esvaziando-o de sua aura histórica.
K.M.
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