quinta-feira, 20 de outubro de 2016

''Montrer ses plaies''.


Aqui o processo de moralização (ou re-moralização) da política americana volta ser o que sempre foi ,historicamente , em todas as principais democracias do mundo: um intrépido ''montrer ses plaies'', como dizia Honoré de Balzac; tais expurgos nos permitem avançar com a consciência política mais tranquila para o dia do pleito. Já não é difícil perceber o que há ''por trás'' das declarações de Podesta e Sanders sobre os maus instintos ético-políticos de Hillary Clinton (instintos que muitas vezes levaram a candidata à mentira , às tramóias midiáticas e negociações escusas com o Grande Capital). Num primeiro momento, há a clara tentativa de plantar-se defensivamente para proteger todos os interesses financeiros criminosos que a apoiam, usando sua fachada de ''morta-viva'' falante contra todos os mais elevados princípios que dirigem a política americana através da Constituição e das leis federais.  Mas, logo, fica evidente que esse ''daltonismo ético'', que considera as próprias condutas ilícitas perfeitamente ''normais''', disfarça mistificações e crimes muito maiores. Considerando de um modo geral , podemos admitir já que o tom ''moderado'' da candidata usado no último debate serve na verdade à um processo premeditado de desapaixonar e des-idealizar o espaço político da nação, substituindo todos os ''spots'' mais relevantes da discussão por uma vaga teatralidade publicitária que a todo momento aciona os factóides sexuais produzidos sob encomenda pela mídia. É assim que a democrata vem tentando desqualificar o espírito de cruzada pacificadora e restauração econômica de seu adversário, colocando sempre ''abaixo de si '' todos os valores militares, policiais, sociais, éticos, políticos e econômicos que o republicano representa. Essa devastação dos bons valores americanos pela propaganda Democrata é levada à cabo em benefício de uma agenda política de caráter meramente eleitoral, que após o 8 de novembro deixará de existir por completo. Só Deus sabe o que virá a ocupar seu lugar, em caso de uma trágica vitória de Hillary. E é preciso desesperar-se sim (ó povo americano) quando é o próprio espírito de mobilização militante que está sendo esvaziado. Digamos: prudentemente apartado pelas gazelas publicitárias do Partido Democrata, que em meio à caçada policial aos crimes e ligações criminosas de sua candidata, propõe à plebe que ela pretende iludir uma espécie de ''fuga definitiva da realidade'', oferecendo-lhe todo tipo de artifícios midiáticos para tentarem se sair bem num jogo ruim.

K.M.

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