Naqueles dias eu tinha sentido com mais força do que nunca o efeito da mudança de escala nessas ''caras e bocas'' e na nas minhas mãos enormes sobre as marcas do meu último pedaço de queijo Babybel. E já na superfície, eu as continuava vendo como uma correção da realidade que pretendia me cercar, me moldar e me submeter à sua pretensa escala de formas e valores; de repente, essas imagens, cheias de pavor, essas unhas e dentes aumentados pela ânsia da sociedade de consumo tornavam-se positivos para mim, ajudavam-me a desconfiar do usual e do fácil e do pressabido; de repente senti que vivia por acaso, que nossas regras tranquilizantes estavam rodeadas de ameaças agradáveis e por incontáveis exceções, coincidências e códigos rituais.
K.M.
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