terça-feira, 4 de outubro de 2016

Trombeta de guerra e sedição.

A teoria política em Hobbes está intrinsecamente vinculada ao uso apropriado da linguagem. A linguagem, na visão de Hobbes, é a mais útil de todas as invenções humanas e ao mesmo tempo é também uma faca de dois gumes.  Seu uso de modo impróprio gera necessariamente, conflitos, guerra e destruição: " ... a língua do homem é trombeta de guerra e sedição", afirma o autor no capítulo V do Do Cidadão. No sentido oposto, ou seja, a utilização correta e precisa da linguagem, como um instrumento que permite efetuar o ato de raciocínio, sugere adequadas normas de paz, em torno das quais os indivíduos podem chegar a um acordo. No caso específico em questão, o que se busca é o acordo necessário que funda o Estado Político por meio de um contrato mútuo. Sobre o vínculo entre linguagem e a fundação do poder político, Hobbes afirma.

"Mas a mais nobre e útil de todas as invenções foi a da linguagem, que consiste em nomes ou apelações e em suas conexões, pelas quais os homens registram seus pensamentos, os recordam depois de passarem, e também os usam entre si para a utilidade de conversas recíprocas, sem o que não haveria entre os homens nem Estado, nem sociedade, nem contrato, nem paz, tal como não existem entre os leões, os ursos e os lobos."(Hobbes, 1988, p. 20)

O próprio contrato político em Hobbes, condição essencial para a criação do Estado Político e este, por sua vez, condição essencial para a realização da paz, exige o domínio adequado do uso da linguagem, na visão de Hobbes um artefacto, ou seja, um produto da arte humana, e não um atributo originário da natureza.

Guerra e paz na teoria política de Thomas Hobbes

Ligia Pavan Baptista

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Se a filosofia natural desenvolvida pelo autor não tinha outra função a não ser o puro prazer intelectual, a filosofia política tinha um fim específico: a busca da paz. Dessa forma, surge mais uma premissa da ciência política: seu caráter utilitalista. Sendo mais útil que a filosofia natural, a filosofia politica deveria ser considerada superior em relação à primeira e desse modo, prioritária. Segundo Hobbes, seguindo os preceitos de Platão, posteriormente encontradas em Wittgenstein, a linguagem deve ser utilizada de forma precisa, fundada na lógica e não na retórica. É pelo fato do ser humano ser capaz de desenvolver a linguagem que ele é capaz de desenvolver a razão. Portanto, seria somente o ser humano, dentre todos os animais, o único capaz de encontrar os caminhos para a paz.


Guerra e paz na teoria política de Thomas Hobbes
Ligia Pavan Baptista

O próprio contrato político em Hobbes, condição essencial para a criação do Estado Político e este, por sua vez, condição essencial para a realização da paz, exige o domínio adequado do uso da linguagem, na visão de Hobbes um artefacto, ou seja, um produto da arte humana, e não um atributo originário da natureza.
Guerra e paz na teoria política de Thomas Hobbes
Ligia Pavan Baptista

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