A Aurora é o sex-appeal da Eternidade; é ver a festa, pacífica ou sangrenta, do futuro; ver o menino nascendo, intermediário entre a culpa e o perdão, e vivendo na rua dos homens e mulheres, dialogando com eles, assumindo a força do pão e do vinho, e morrendo crucificado pelo poder de Roma, o clero e a polícia de Israel, para resumir no seu corpo e no seu espírito o drama existencial de uma humanidade dilacerada, ressuscitando-se e ressuscitando-nos para a vida futura que será inteira transmutação de valores, metamorfose, fundação de uma nova sociedade não-consumista, de um Novo Céu e de uma Nova Terra.
A Aurora é a visão sobrenatural da alegria de viver, ao alcance de qualquer um, a imediata matéria corporal em êxtase, máximo emblema da circulação sanguínea, a própria substância do deus-homem encarnado. É ver a necessidade do enigma para poder um dia decifrá-lo; ver o traçado de Belém , o esquema da futura pólis, as Cidades de Luz, o macro-cosmo cabendo no micro-cosmo ; é ver a greve contra os esbirras que chateiam e perseguem a sagrada união do homem com Deus; ver a sabotagem do Pecado Original, a derrota da matéria tenebrosa ; interpretar o mundo ambíguo nas suas linhas de orientação, positivas e negativas...
A Aurora é ver os animais, estes subúrbios semoventes do homem, tentando imitá-lo ; ''ver'' a música, e os pastores que assimilam a festa dos elementos naturais, cada um tangendo a sua ''sanfonia'' ; sem a música, dominadora do tempo e do espaço, o sopro divino não se transmitiria ao homem ; ver a sempre jovem estrela anunciadora da infância e post ; a anterior cifra secreta súbito revelada, a luz original do alfa e do ômega dançando; é ver os magos, não reis, que trazem a cultura de diamante, a sabedoria primordial do Lógos, a fascinação do oriente geográfico e do oriente interno de cada um; é ver a riqueza e a variedade da terra, a multiplicação dos peixes; a reunificação da humanidade numa assembléia universal; o prazer das futuras viagens no tempo, o cérebro eletrônico, a subida da mente aos espaços extra-sensoriais; é ver a invisibilidade de Deus, que escapa à todas as mídias.
A Aurora é ver a glória divina, traduzida pela paz ou pela guerra entre os homens. É ver a superação dos instintos primitivos pelo poder espiritual, o texto do Homem Novo prenunciado pelos gregos, definido, às custas do próprio sangue, por São Paulo, e completado pela cibernética ; é ver a liquidação da fome e do sofrimento das crianças, a esfera do governo mundial cooperativo insinuar-se timidamente, o desarmamento e a aniquilação da força bruta pelas armas da mente superior, o território da sociedade sem classes, sem nomes, sem espelhismos, o arquivamento das armas de destruição em massa, as colunas da civilização futura, o re-nascimento ecumênico da paz entre os destroços de todas as guerras.
A Aurora é ver dialeticamente a festa do trabalho novo, a glória do trabalhador nas mãos oferecidas de José carpinteiro. É ver a graça transformadora de Maria, primeira teóloga, primeira revolucionária ; artífice da paz ; é adorar como Dante a sólida beleza da ''Vergine madre, figlia del tuo figlio / Umile e alta piú che creatura / Termine fisso d´etterno consiglio''.
K.M.
J'ai embrassé l'aube d'été.
ResponderExcluirRien ne bougeait encore au front des palais. L'eau était morte. Les camps d'ombres ne quittaient pas la route
du bois. J'ai marché, réveillant les haleines vives et tièdes, et les pierreries regardèrent, et les ailes
se levèrent sans bruit.
La première entreprise fut, dans le sentier déjà empli de frais et blêmes éclats, une fleur qui me dit son nom.
Je ris au wasserfall blond qui s'échevela à travers les sapins : à la cime argentée je reconnus la déesse.
Alors je levai un à un les voiles. Dans l'allée, en agitant les bras. Par la plaine, où je l'ai dénoncée au coq.
A la grand'ville elle fuyait parmi les clochers et les dômes, et courant comme un mendiant sur les quais de marbre,
je la chassais.
En haut de la route, près d'un bois de lauriers, je l'ai entourée avec ses voiles amassés, et j'ai senti un peu
son immense corps. L'aube et l'enfant tombèrent au bas du bois.
Au réveil il était midi.
A. Rimbaud