sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Uma crise de identidade cada vez mais profunda.

Muitos sociais-democratas alemães temem ampliar por meio de uma recusa à acordos de livre-comércio as crises que a União Européia enfrenta. Na verdade, temem ampliar a crise de popularidade que a ''situação'' enfrenta na Alemanha. A '' grande coalizão'', na mais antiga social-democracia do mundo, se encontra tomada pelas dúvidas, a falta de pontaria política e por uma crise de identidade cada vez mais profunda. O Brexit e a ''ascensão '' de Donald Trump certamente contribuíram para esse cenário. Apesar de tudo, nem as manifestações hostis do povo alemão contra o acordo euro-canadense, nem a mãozinha amigável do SPD, foram capazes de decidir o caso de forma definitiva. O SPD pretende defender os assalariados, mas adota decisões que vão contra seus interesses. Bruxelas urge colocar os acordos de livre comércio em prática o quanto antes, de cima para baixo como sempre. Mas, em 11 de outubro, após as queixas contundentes de mais de 190 mil alemães, a Corte Federal de Justiça ameaçou barrar certas disposições que podem limitar a aplicação do AECG. O julgamento afirma que a União Européia deverá se limitar à colocar em prática apenas seus direitos aduaneiros. Tudo o que ultrapassa tais direitos (competência da UE), incluindo tribunais de arbitragem, proteção do trabalho e da propriedade intelectual, necessita de ratificação pelos respectivos países. Um julgamento negativo do caso tornará impossível a ratificação do acordo pelo Governo Federal alemão. Anular a aplicação provisória do acordo é o mínimo de sensatez que o povo alemão exige de seu governo, neste momento.

K.M.

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