sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Não apenas compreensível, mas justo.



Outro dia li uns pedaços da  biografia de Thomas Carlyle, uma espécie de interpretação heróico-moral de estados dispépticos. Carlyle, um homem de palavras e poses enérgicas, um retórico ''por necessidade'', constantemente agastado pelo desejo de ter uma fé forte e pelo sentimento de que somente a fé não lhe era suficiente. Algo de romântico típico, sem dúvida. Sabemos que o desejo de se ter uma fé forte não é de modo algum a prova de que se tem tal fé. Caso a tenha de fato, o indivíduo muitas vezes não teme nem sequer ser cético. Dar-se o luxo de ser cético quando se é seguro o bastante, firme o bastante, consistente o bastante para tanto. Carlyle certamente atordoava alguma coisa dentro de si através do ''fortíssimo'' de sua veneração por homens de fé forte e uma certa indisposição de ânimo contra os menos simplórios: ele precisava de bastante barulho à sua volta. Talvez até uma certa crueldade consigo mesmo, um vício constante e passional de agregar qualidades em voz alta ----- esse era o seu ''proprium'' , com isso ele foi e continua sendo interessante. Na Inglaterra até hoje é muito admirado por sua honestidade... E isso é bem inglês, certo ? , e considerando que os ingleses são o povo da ''cant'' perfeita, é bem justo também. Não apenas compreensível, mas justo.  

K.M.

Nenhum comentário:

Postar um comentário