terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mais ou menos isso...

À publicidade bélica dos Estados Unidos interessa sobretudo mostrar ao Irã que sua influência no Iraque é forte o suficiente para que o Irã ponha na balança quanta vantagem é possível tirar dessa situação endossando a postura americana contra o Estado Islâmico. As monarquias do Golfo exigem que os Estados Unidos mantenham um pé no Iraque, e o tom de animosidade entre Bagdá e Riad exige a intervenção constante da diplomacia americana para acalmar a situação. Outro claro objetivo estratégico dos Estados Unidos ''até agora''  é dificultar a aproximação entre Bagdá e Moscou. Al-Abadi elogia o Presidente Vladimir Putin sempre que pode e defende a intervenção russa na Síria com menção honrosa à muitos de seus ''resultados estratégicos''. Dificilmente o Kremlin deixará de usar a batalha de Mosul para dar o troco na retórica anti-Putin do Ocidente, acusando a coalizão internacional de ''crimes de guerra''. Putin retirou a Rússia do Tribunal Penal Internacional por considerar que este organismo "não cumpriu as expectativas e não se converteu num órgão de Justiça verdadeiramente independente e prestigiado; e o Ministério dos Negócios Estrangeiros Russo vem criticando sistematicamente a falta de eficácia e "unilateralidade" do TPI, que em 14 anos de funcionamento ditou apenas quatro sentenças e gastou mais de um bilhão de dólares. Ainda assim, tais críticas poupam o governo iraquiano, e além disto propõem ajudar na luta contra a Jihad, dizendo que os russos estão  sub-repticiamente preparados para tal, caso isso se mostre necessário; preparados inclusive para substituir o espaço bélico ocupado pelos americanos. Recentemente, o Secretário de Defesa Ashton Carter tentou convencer a liderança iraquiana a aceitar que o Exército turco, o segundo maior da Otan, participasse dos combates contra o Estado Islâmico. Al-Abadi opôs uma recusa de fachada e expôs-se à crítica furiosa dos dirigentes xiitas. Erdogan é sem dúvida uma parte interessada na Batalha de Mosul: pretende impor sua presença nas negociações quando chegar a hora. Seus aliados  na região são os peshmergas e algumas tropas mobilizadas junto às tribos sunitas. 

K.M.

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