Ela tinha medo apenas de uma coisa: da verdade. Ou mais precisamente, da representação que se fazia dela. De fato, seu medo não era simplesmente uma falta de coragem em face de uma verdade que se representava de forma ''mais ou menos ''consciente: havia um outro medo nela que precedia este, que estava já implicitamente presente no próprio fato de ter ela fabricado uma ''imagem da verdade'' e, de uma maneira ou de outra, ter-lhe sabido o nome e experimentado o pressentimento.Foi esse medo arcaico contido em toda sua representação que tinha num ''enigma'' a sua expressão e o seu antídoto. Mas isso não significava que a verdade fosse qualquer coisa de irrepresentável, que ela se apressasse a assimilar às às suas ''representações''. Pelo contrário, a verdade começava apenas no instante a seguir ao momento em que ela reconhecia a verdade ou a falsidade de sua representação ( na sua representação, ela só podia ter duas formas: ''Ou Afinal era mesmo assim !'' ou então ''Ela estava enganando-se '' ). Por isso, era importante que sua representação parasse por um instante antes da verdade, para que ela pudesse pelo menos respirar ; por isso, só é verdadeira a representação que representa também a distância que a separa da verdade.
K.M.

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