Nessas eleições francesas o ''voto útil'' não terá qualquer utilidade para Hollande, que em 2012 valeu-se dele para garantir o fracasso de seus adversários no primeiro turno. Com todo respeito, ou quase, devemos colocar de lado, nessas eleições, não só o voto útil, mas o próprio Hollande, pois o povo francês claramente rejeita o diagnóstico de seus sentidos. O tempo todo o atual presidente buscou apresentar os atos de seu governo como medidas duráveis e capazes de operar mudanças que nunca chegaram a estar em curso; os principais adversários do neoliberalismo apoiaram Hollande em 2012 e o único resultado disso foi transformar a Frente Nacional no maior partido da França. Também foi injusto, por parte de Hollande, o estado de decomposição em que ele mergulhou o PS, quando uma parcela significativa do eleitorado parece ainda rejeitar certos pontos do programa comum dos republicanos. E Hollande não mente apenas como um ''eleata'', possuído pela noção de irrealidade dos próprios movimentos políticos; aquilo que ele fez em seu governo introduz, a um só tempo, uma mentira grande e uma pequena. Duas deploráveis ''idées fixes'' de seus publicitários: mentir para o partido e mentir para o povo. A mentira da solidez de seus atos de governo e a razão pela qual vem falseando o testemunho popular da realidade. Em momento algum se perseguiu uma meta administrativa clara, de 2012 até aqui, e as cifras que aparecem como ''resultados'' no discurso oficial do governo mal passam de ''acidentes'' de percurso, somas aleatórias que rapidamente integram fabulações combinatórias sem significado prospectivo nenhum. O povo francês terá eternamente razão ao afirmar nas urnas que esse governo nunca passou de uma ficção vazia, construída ''meticulosamente'' pelos socialistas mais desastrados dos últimos cinquenta anos. A França aparente que o governo Hollande apresenta como único possível resto de uma realidade nacional contingenciada por pressões externas de todos os lados é apenas um ''acréscimo mentiroso'' em nossos sentidos, que esconde a inoperância e timidez do governo atrás de noções de compromisso e responsabilidade ultrapassadas. Obviamente, que colocar questões rarefeitas em primeiro lugar, quando se está pressionado por baixos índices de popularidade, exige uma advocacia publicitária constante dos próprios erros. O vitimismo socialista promete superar negativamente as noções mais pessimistas de decadência política nessas eleições.
K.M.
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