sexta-feira, 18 de novembro de 2016

''Processo de totalidade'' diplomática.

Por exemplo: os termos e condições do cessar-fogo na Síria que entrou em vigor em setembro deste ano, negociado entre Kerry e Lavrov, eram tão precários e ambíguos, tão reticentes e rancorosos, que precisavam ser revistos a cada 48 horas e nem sequer eram tornados públicos direito. Mais surpreendentemente trágico é o fato de que tenha sido ''quebrado'' por um ataque norte-americano contra as forças sírias que causou mais de 60 mortes.Ninguém acreditou na hipótese de erro, sustentada pela Casa Branca, e então começou a ofensiva para a retomada de Alepo com armas químicas. Algumas horas depois do fim da trégua, um comboio da ONU foi bombardeado no oeste da cidade. Acusaram os russos e Al Assad pelas vinte mortes. Moscou usou seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear a reivindicação francesa de cessar-fogo.  

O ''processo de totalidade'' diplomática não é levado em consideração no mundo atual porque não há em absoluto um processo de conjunto concebido como sistema; quando não há totalidade na avaliação de uma crise humanitária, nas finalidades humanas que a gerenciam, qualquer conformidade aos fins são apenas ''aparências úteis''. E não é o aumento da consciência humanitária que é o fim, mas a intensificação do poder em cuja utilidade tal consciência está compreendida. Que não se tomem os meios diplomáticos à disposição do mundo como supremo critério de valor, pois este mundo não é um organismo, mas um caos.  A evolução intelectual das partes, nesse contexto, funciona como um simples meio de organização relativa de um estado de coisas insatisfatório.

K.M.

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