sexta-feira, 10 de junho de 2016
DÉCIMO OITAVO CONTO AMERICANO.
Certamente fizemos progressos acerca da questão. Estamos mais prevenidos, mais atentos, inabaláveis como sempre. Sentimos que nossa obra literária, na qual parece animar-se uma vida simbólica da mídia, nos aproximará tanto mais do ''fora'' quanto mais nos deixarmos nos encerrar, profundamente, nela. Só ela pode nos dizer o que não pode ser dito, contanto que não diga nada que não seja ela mesma, ; e só nos conduz além do possível não nos conduzindo a lugar nenhum, não abrindo, mas fechando todas as saídas. Esfinge para além da qual não há nada a não ser o transporte. A narrativa, por seus movimentos de caráter labiríntico, ou pela ruptura de nível que produz em sua substância, parece atraída para fora dela mesma por uma luz cujo reflexo acreditamos surpreender aqui e ali, mas essa atração que a transporta para um ponto infinito exterior é o movimento que a traz de volta ao seu próprio segredo, seu centro, em direção à intimidade a partir da qual ela sempre gera e é seu próprio e eterno nascimento.
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