terça-feira, 27 de setembro de 2016

Grandón do pidgins Joss (8)



----- Pouco importa o resultado do debate (eu disse à Fay) O importante é que eu continuo cabendo nesse quarto. Sejamos práticos: caibo nele, e estou tranquilo. Sei que caberei nele o tempo que for necessário. Enquanto o  adversário de Patrícia preferiu ir mais devagar, ou só atacar em defesa própria, por causa das minhocas que seus assessores colocaram em sua cabeça, ela foi fundo logo de cara: Me pareceu bem esperta demais para ele, e polida, irascível por trás de toda aquela civilidade (.) ------, eu disse. O pensamento que carregava meus pés (aos olhos de Fay) era sincero, mas não podia esperar, de modo que ela já esperava por um choque fatal contra a ombreira do século. ----- A idéia da cabana de novo, K (?) (ela disse, misteriosamente) Certas idéias tem realmente sua história, afinal. Sua cabana já foi de Rousseau, de Thoreau, de Robinson Crusoé. A cabana do despojamento da Grande Cabeça (apaziguamento ou desafio) livre de manipular e ser manipulado. A velha cabana oriental do homem que parte para o meio do mato em busca do último bastião da vida e do pensamento. Particularmente, acho possível alcançar o mesmo resultado contemplando pinturas chinesas na sala de um apartamento em NY , tomando chá (.) -----, ela disse. Mas Fay se referia, antes, ao longo silêncio que deveria ter me tornado mudo para sempre e, no entanto, encontrara em mim a persistência e as nervuras de idéias consideradas estúpidas durante muitos séculos, como o sultanismo aparentemente perdulário de Luís XIV reproduzido em De Gaulle. Aquilo me fazia lembrar de tramas complicadas de romances do século dezenove e dos ideogramas nos cantos de Ezra Pound.  Compartilhando minhas lembranças, eu tentava mostrar à ela meu lado ''melhor''. E ele está lá, entre ideogramas e romances russos.  ----- Um novo Carlos Magno (eu disse) Ou a ambição imperial da China no Ártico russo. A Islândia apoiou a China e multiplicaram-se acordos científicos e comerciais da noite para o dia. Vai entender! A idéia do poder naval dominante no Norte (Como a China se tornou um ''Estado Ártico ''? da noite para dia ) ,velha há dois séculos, e que agora, sob a mira de Pequim, continua sendo trabalhada da mesma maneira (A corrida para o Norte ). Veja: TRABALHADA (!) Não faz diferença que em breve a dominação dos mares por navios de guerra seja coisa tão obsoleta quanto Asurbanipal. E também há os russos com sua ''tenacidade nacional''. Há muito os admiro, desde os tempos de Gogól. Dê-lhes um sistema qualquer, deixem que vislumbrem uma ''idéia grandiosa'' em algum nicho da realidade, e logo mergulharão de cabeça até o fundo com ela, aplicá-la-ão até o fim, pavimentando o mundo inteiro com material duro e latarias de tanque.  Meu pensamento está sempre enxugando esses cenários de luta resfriada. O que preciso agora é de algo imprevisto, pois isso me faria bem. Algo positivo, certo (?) ------,concluí. O que eu dizia não soava ostentoso, para Fay. Claro (eu notava) que nosso caso não era o da reunião de almas gêmeas. Longe disso: o tempo todo ela cobria a boca com a mão e ria encabulada  por trás dos dedos. Mas lá estaria ela, , logo mais, pelas longas galerias do conhecimento, mandando-me relatórios sobre pequenos sóis e luas em gráficos coloridos sobre os homens e seus ecossistemas de cifras. Numa situação como aquela, ninguém fica muito tempo sentado. Não em Nova York. Eu mesmo tornava-me frequentemente exagerado, quando passava muito tempo afundado na poltrona, relendo  os russos: ---- Eis o que está resolvido (dizia eu) Tenho o tempo exato, se calculei bem. E se calculei mal tanto melhor, tanto faz. Aliás ainda não calculei nada.
K.M.











Nenhum comentário:

Postar um comentário