domingo, 18 de setembro de 2016

Allein im Innern leuchtet helles Licht...



Die Nacht schein tiefer tief hereinzudringen,
Allein im Innern leuchtet helles Licht...

Faust II, 115000


Aparentemente, todos concordam com nossa maneira de denominar o branco, o preto e o cinza; todos vêem o branco sem mistura. Talvez alguém note algo marrom no preto e, no cinza, algo avermelhado. Em geral percebem com nitidez as gradações do claro ao escuro. E concordam conosco ao verem o amarelo,  amarelo avermelhado e vermelho-amarelado; quanto ao último, muitos dizem ver o amarelo como se estivesse envernizado sobre o vermelho. Conjecturas, conjecturas, digo sempre. Na verdade, chamam vermelho a um carmim que secou de modo compacto num pires. Mas logo surpreenderam uma notável diferença: quando se passava levemente, com um pincel molhado, o carmim sobre a taça branca, comparavam a cor clara que surgia com a cor do céu, chamando isso de azul. Se ao lado se mostrava uma rosa, também chamavam de azul e, mesmo com todos os testes, não conseguiam diferenciar o azul claro do rosa. Ora ! , confundiam completamente o rosa com o azul e o violeta, só conseguindo distinguir  essas cores por meio de leves sombreados mais claros, escuros, vivos, fracos. Em seguida, não conseguiam mais diferenciar o verde de um laranja escuro e, em particular, do vermelho-castanho. Quando se conversava ao acaso com eles, e se lhes perguntava simplesmente pelos objetos e textos ali presentes, havia uma grande confusão, a ponto de se temer uma total falta de sentido. Mas, ao contrário, ao se proceder com meu método, era possível se aproximar da lei que regia essas anomalias. 

J.W. Goethe.
Doutrina das Cores













Nenhum comentário:

Postar um comentário