sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Denn was innen, das ist aussen.

Em seus escritos sobre ciência da natureza, Goethe afirma que um processo de depuração do fenômeno deve ser feito a fim de se chegar a certas leis. Tal processo consiste em três etapas: fenômeno empírico, fenômeno científico e fenômeno puro. O fenômeno torna-se progressivamente mais abstrato. O observador vê, por exemplo, uma flor violeta, comparando-a em seguida com outro tipo de flor violeta. Goethe se baseia numa noção de atividade cromática do olho contrária à noção gramática (açor na linguagem) de Wittgenstein. Focaliza apenas a ação viva das cores, que já delimita a linguagem pela qual pode ser descrita . No parágrafo 751, de sua Doutrina das Cores, ele escreve: Nunca se reflete suficientemente sobre o fato de que a linguagem é propriamente simbólica , figurada, e de que jamais exprime diretamente os objetos, mas somente por reflexos. Tal é especialmente o caso quando se trata de seres que apenas se aproximam da experiência e que podem ser chamados antes de ‘’atividades’’ do que de objetos, estando no reino da doutrina da natureza em contínuo movimento. Não podem ser fixados, embora devam ser descritos; é por isso que tentam todo tipo de fórmulas, para se aproximar deles ao menos alegoricamente’’.

A Doutrina das Cores, de Goethe, oscila entre um discurso científico e uma linguagem poética, ambivalência que se desdobra na própria concepção da cor ora como paixão, ora como ação.

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