Quanto mais meu adversário falava, menos impressionante me parecia sua voz. Quando se alongava demais, sua voz crescia não em conteúdo e força, mas em aridez: ''AMÉRICA EM PRIMEIRO LUGAR (!)'' (predomínio geopolítico banhado em alucinações sobre finanças : negociar com os credores dos EUA para recomprar a dívida pública com deságio ----- um calote parcial sobre trilhões de dólares em títulos, visando reduzir o peso da dívida para os contribuintes... ERA IMPOSSÍVEL VOTAR NELE (!) , era impossível votar num homem que do grito acusador de ''COMUNISTA ! '', ou ''NEGRO ! '' ou ''HISPÂNICO ! '', fizera uma profissão de fé ou, o que era pior: um hobby ! ; era demasiado fácil: metade dos tiranos, dos gananciosos, dos covardes do século XX tinha feito ou aumentado suas fortunas sujas explorando esse tipo de medo na sociedade. Digo que tive um momento de autêntica raiva ao escuta-lo explicando que fizera ''exatamente a mesma coisa'' quando seus ''cassinos tiveram problemas ''. A construção de um império comercial com dívidas , abandonado assim que o negócio caiu no vermelho. Assim ele havia feito em Atlantic City. Estávamos fartos de ouví-lo falar em ''coragem'' ao invés de ''calote'' : a mera sugestão desta idéia em âmbito oficial seria o suficiente para comprometer toda a pontuação de crédito do governo e aumentar o custo dos empréstimos futuros; os preços dos títulos do Tesouro sofreriam um colapso e, no fim, os contribuintes entrariam pelo cano para honrar o serviço da dívida. Ontem, no recinto das primárias, eu havia dito a um jovem delegado de Los Angeles : ------- Já lhe ocorreram que Fidel Castro é um exemplo de coragem bem maior que o de JFK ?, mas Castro nunca alcançou uma mentalidade tão criminosa quanto a do meu adversário (.) ----, subitamente, o palanque sob meus pés estremeceu e tiveram que cortar meu microfone, mas eu continuei gritando: -- SE VOTAREM NELE... o dólar não será mais uma moeda internacional; a América perderá o status de superpotência; não projetaremos mais nenhum poder sobre o mundo; não teremos mais bases militares em mais de 100 países; as esquadras navais de combate não terão mais recursos para se manterem à tona nos oceanos; o Mediterrâneo; O Pacífico; a defesa dos aliados; a Europa - o Japão - a Coréia - o Oriente Médio - o * não adiantará mais nada seguir imprimindo dólares; Não poderemos mais financiar nossos déficits comerciais orçamentários periódicos; Nosso ''privilégio exorbitante''; o ''dólar como reserva de valor ''; NADA ! NADA ! NADA ! -, eu estava prestes a cair do palanque, agarrados aos fios das caixas de som, enquanto as pessoas se pisoteavam embaixo. Os melhores dentre os jovens de todas as cidades do interior, cerebralmente lavados pelo ginásio e a Legião Americana, viriam a aderir à esta cruzada alucinatória suicida do meu oponente só porque ele repetia I LOVE YOU trinta vezes por discurso ? Coragem e mudança ? Que tipo de impostor estava sendo fabricado às vistas de todos , no ´país ? E com o consentimento de quantos ? ! Que extinção incalculável aquela garganta rouca estava operando no melhor do pensamento conservador ? As extraordinariamente bem desenvolvidos mercados financeiros americanos, prometendo sempre uma liquidez sem paralelo no mundo, dia após dia: mais de U$ 500 bilhões por dia só no mercado de títulos do governo americano ... e a comodidade de reversão cambial ! O refúgio eternamente seguro ! Como são retos esses republicanos... e, no entanto, AGORA ISTO !
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