Eu estava conversando com uma senhora numa reunião, certa noite, e ela disse que seu candidato era uma velha máquina política e que por isso ia votar nele, pois o homem saberia como fazer a máquina econômica voltar a funcionar. E eu respondia que a América não era como uma máquina, mas como um tumor maligno. Prossegui argumentando com malícia e malignidade, mas agora dirigindo-me à ninguém (pois percebi que não teria que brilhar muito para brilhar mais que qualquer um); fiquei remoendo o comentário dela, e pensando que tinha algo a ver com os motivos porque seu candidato talvez não se tornasse o próximo presidente americano. Em virtude do meu costume de colocar tais considerações inferiores num nível puramente teórico, ninguém ali se surpreendeu que eu alertasse para a indisciplina do inconsciente e sua independência das regras de conduta. ----- Um dia (continuei) seu candidato parece correr para ganhar; no outro dia parece perder terreno e esfumar-se. Com a obstinação de que um homem pode ser capaz nos últimos meses e, non entanto, parece haver um terreno movediço por baixo dos esforços dele ------ à medida que uns votos são conquistados, outros lhe fogem: isso as pesquisas ainda não poderão mostrar ------, mas eu sei, cada vez que ouço alguém dizer que vai votar ''nele'', temos de ouvir as mesmas más notícias: ele foi desapontamento nisto ou naquilo (afirmam) , sua personalidade não conseguiu alcançar o ponto de convergência, e o mesmo parece estar acontecendo à sua campanha (dirigia por homens confusos). A campanha e o homem eram compridos demais, maçantes demais, barulhentos demais (primavam por um mau humor de viés contagioso, mas que tinha sérias limitações); além do mais, a campanha, até agora, não tinha revelado nenhuma questão autêntica ou, pelo menos, faltou habilidade para encontrar e dramatizar as verdadeiras questões, que não podiam ser enfrentadas sem um enorme risco eleitoral; e o candidato permitiu (de algum modo) que o bom começo se dissipasse, apesar das vitórias. As eleições gerais provariam que eu tinharazão (eu pensava na campanha que ele vinha realizando e nas extraordinárias dificuldades que vinha enfrentando, inclusive na malignidade do tumor do qual pretendia apossar-se... ele dramatizava muito bem até mesmo isso. A América era incrivelmente doente: seria um insulto à humanidade admitir que ainda existia algum tipo de brilhantismo na política americana atual... mas o candidato dela, apoiado por escravos comprados a baixo preço no mercado negro das sub-celebridades, parecia insistir que sim: ou , pelo menos, que devia fazer o possível para a parentar que sim: que ele estava restaurando o crédito e a autoridade da arte politica, a seriedade dos pensamentos pragmáticos, a integridade da cultura de opinião, toda a dignidade de um estilo ! O tom do noticiário era o do Renascimento sob Leonardo Da Vinci. Eu tinha vontade de perguntar ao candidato dela:
K.M.

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