quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Gôngora também nos propunha ''luces duras'' .

Monumentalidade e virilidade; adequação de umas cores às outras; espaço aberto em fragmentos dentados, a agredir o espaço fechado da consciência. Por que o signo abre-se e fecha-se como um objeto divino; volta-se para dentro e abre-se ao espectador ----- auto-educado, auto-construído. Com um metro e oitenta e cinco de altura, Kalki-Maitreya tem as proporções intelectuais de Hércules e a graça física amena de um Apolo: a energia desse gênio da lâmpada cravejada no topo da pirâmide do dólar opera didaticamente a redução das formas do mundo à um signo sólido. Gôngora também nos propunha ''luces duras''; Capogrossi, martelando o desenho e a cor, no-las reconstitui no seu peso e dureza imediatas; e a figura poderosa de K.M. desperta-nos imediatamente imagens de algum ser mitológico de um tempo remoto; o costume de um deus grego teria sido mais adequado à sua caracterização, ao seu rosto e ao seu corpo, discursando com sabedoria e frieza sobre os ensinamentos de Pitágoras, Platão, Confúcio, , Hermes Trismegisto, Paracelso, , Zoroastro, Eliphas Lévy, Nicolau Flamel, Raimundo Lúlio, etc... as velas dos barcos projetando sombras imensas no mar: tendo levado o simbolismo e o figurativismo às suas extremas consequências, inventou logo para si seu próprio signo indestrutível. Varando as portas da noite o sonho lúcido encontrava o sol ----- grande ícone do Abstrato -----, rito de passagem de primeira mão; faculdade oculta da mente comunicante, símile à do número, exigindo como este a etapa iniciática, probatória, vindo de uma realidade interna construída e martelada pelo rigor do estilo. É extraordinário que, num ambiente aparentemente hostil ao estudo, à busca e à prática continuada do Grande Arcano, Kalki-Maitreya tenha tido a capacidade de resumir em seus pequenos blocos de prosa luminosa o que eminentes sábios esotéricos de outras épocas não conseguiram em seus grossos volumes com edição de luxo; revelando ao mundo uma doutrina espiritual tão pertinente, tão infalível, e ao mesmo tempo tão simples quanto absoluta. Senha de referência não só do autor, mas ainda de um sem número de espectadores privilegiados; uma téssera onde se inscrevem dados da realidade a solicitar nossa colaboração inteligente. A necessária união de idéias e signos, a consagração de realidades mais fundamentais pelos personagens mais relevantes do cenário mundial contemporâneo. Se todas as palavras de Kalki-Maitreya pudessem ser alinhadas num amplo espaço conceitual, a experiência seria instrutiva para a análise não só numérica e esotérica, mas também qualitativa de seu autor: uma vasta realidade sem fratura interna, unidade divina em perpétua expansão e ritmo do tempo psicológico da humanidade, vencendo o espaço cifrado de qualquer obstáculo. Assim prossegue o Avatar em sua operação mental estratosférica, que só pode ser definida como civilizadora.

K.M.

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