Reduzir algo totalmente desconhecido a algo conhecido alivia, acalma, satisfaz e, além disso, dá uma sensação de poder. Com o desconhecido vem o perigo , a inquietação , a preocupação ----- o primeiro instinto se volta necessariamente para a eliminação desses estados, negando-lhe legitimidade. Primeiro princípio do homem mediano: qualquer explicação é melhor que nenhuma. Por se tratar, no fundo , apenas de um desejo de se ver livre de representações opressivas, não se é la ''muito rigoroso'' com os expedientes para tanto, apelando-se para qualquer ''superstição realista'' para explicar o desconhecido como conhecido. A prova do ''prazer'' (da''força') como critério de verdade . ---- O impulso causal, portanto, depende e é estimulado pelo sentimento do medo. O ''por quê ??!!! '' deve, se possível, não tanto fornecer a causa em razão dela mesma, mas, antes, uma ''espécie de causa'' ----- uma causa artificial que ''tranquilize'', liberte, alivie. A primeira consequência dessa necessidade doméstica é o fato de alguma coisa coisa ''já conhecida'' , experimentada , inscrita na memória , ser estabelecida como causa. O novo, o não experimentado , o estranho, é excluído como causa . ----- Assim, não é buscada como causa tão-somente uma espécie de explicação, mas uma espécie ''escolhida e privilegiada'' de explicação , cada vez mais artificial, daquelas que eliminam do modo mais rápido, mais frequente e cotidiano, a sensação do estranho, do novo, do não experimentado ----- as explicações mais habituais e, consequentemente, mais medíocres. ------ Consequências : uma espécie de determinação das causas prevalece sempre mais, se concentrando num sistema de viés midiático e enfim se sobressai ''dominante'' , ou seja , simplesmente excluindo todas as outras causas e explicações. ----- O banqueiro logo pensa no seu ''negócio'', os Democratas logo correm para os braços da mídia , o cristão se ajoelha e se culpa pelos próprios pecados, e a mocinha passa o dia inteiro sonhando com seu amor.
K.M.
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