terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Autopoiese dos perceptos mutantes.

Como manter unidos esse mergulho sensível em uma matéria finita, uma composição encarnada, sendo elas as mais desterritorializadas ---- como é o caso com a matéria da música ou a matéria da arte conceitual ------- e essa hipercomplexidade, essa autopoiese dos perceptos mutantes? ------- De maneira compulsiva volto a esse vaivém incessante, entre a complexidade e o caos. Um grito, um azul monocromático fazem surgir um Universo incorporal, intensivo, não exatamente discursivo, pático, em cujo rastro são desencadeados outros Universos, outros registros, outras bifurcações maquínicas. Constelações singulares de universos. As narrativas, os mitos, os ícones mais elaborados nos levam sempre a esse ponto de báscula caósmica, a essa singular oralidade ontológica. Algo se absorve, se incorpora, se digere (por indigesto que possa ser) a partir do que novas linhas de sentido se esboçam e se alongam. Seria preciso passar necessariamente por esse ponto umbilical ----- as escaras brancas e pardacentas no fundo da garganta de Irma, ou a rigor um objeto fetiche e conjuratório para que possa advir um retorno de finitude e de precariedade, para encontrar uma saída para os sonhos eternitários e mortíferos, para tornar a dar, enfim, o infinito a um mundo que ameça sufocar.

K.M. 

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