quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Agora é só girar a chave. VENCI .

!!


FELICIDADE, AMOR , AUTO-REALIZAÇÃO , SUCESSO .

Sempre adverti a Humanidade sobre o perigo mortal de não se divertir com aquilo que se faz. E também para a moléstia potencial em se filosofar a partir de conceitos como FELICIDADE, AMOR , AUTO-REALIZAÇÃO , SUCESSO , etc . O esforço das pessoas em alcançarem as idéias que fazem de si próprias é a fonte de seus maiores tormentos . Bastaria-me descrever as pessoas tal como são para fazer-lhes as caricaturas mais hilariantes. Assim que através das minhas trivialidade diárias posso perfeitamente reconstruir meus verdadeiros sentimentos pela Humanidade : como se gastam pensando e repensando seus próprios destinos . Olhos nublados buscando-se absurda e dolorosamente entre as sombras de si mesmos. Não conheço animais mais antipáticos  e mau-humorados. Como se inquietam com os olhares interrogativos que lhes dirijo (de vez em quando) apenas para passar o tempo, como se dentro dos meus olhos pudesse estar encerrado o documento cifrado que são suas vidas atribuladas. Rapidamente desvio os olhos e passo a refletir sobre o entorno. Como de costume, nada responde às minhas indagações. E ao cabo de algum tempo, eu me retiro... PLENAMENTE !

K.M.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

BEING BEAUTEOUS (par A. Rimbaud)

Devant une neige un Être de
Beauté de haute taille.
Des sifflements de mort et des cercles de musique sourde font monter, s'élargir et trembler comme un spectre ce corps adoré ; des blessures écarlates et noires éclatent dans
les chairs superbes.
Les couleurs propres de la vie se foncent, dansent, et se dégagent autour de la
Vision, sur le chantier.
Et les frissons s'élèvent et grondent et la saveur forcenée de ces effets se chargeant avec les sifflements mortels et les rauques musiques que le monde, loin derrière nous,
lance sur notre mère de beauté, — elle recule, elle se dresse.
Oh ! nos os sont revêtus d'un nouveau corps amoureux.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Mensagens do além-túmulo...

Poderia eu considerar-me já morto ???? Quem saberia dizer ? As experiências extra-sensoriais, no entanto, provam que algumas almas (poucas ) subsistem no além. E outras, em número ainda mais reduzido, não apenas subsistem,  mas seguem expandindo-se como um universo. De modo que o que podemos afirmar com certeza é que tudo nesse vale de lágrimas terreno se passa  conosco como se nele houvéssemos entrado com o fardo de um série de obrigações contraídas em experiências anteriores, não exatamente de vidas, mas de experimentos conscienciais dos mais variados estilos. Poucos deles, por sinal, podendo ser considerados bem sucedidos, pois de outra forma não haveria necessidade de retornar à ''pré-escola'' terrena. Nas nossas condições de vida aparentes neste mundo (no  entanto ) não existe motivo absolutamente nenhum, à primeira vista , para que nos julguemos obrigados a praticar o bem, a sermos delicados uns com os outros, ou mesmo corteses, e tampouco para que artistas menores, medíocres e ateus, se julguem obrigados a recomeçar vinte vezes um mesmo trabalho, cuja admiração que suscitará pouco há de importar caso seu corpo já esteja apodrecido por dentro. Todas essas obrigações evolutivas, de cujo cumprimento depende a expansão da consciência, pertencem ao além -túmulo , um mundo que, ao contrário do que se imagina, não é fundado na bondade, no escrúpulo ou no amor, mas no tipo mais impessoal de poder derivado da capacidade de sacrifício ; um mundo inteiramente diverso deste, do qual a maioria das almas só conheceu ou habitou a mais distante periferia, quase que unicamente para nutrirem-se da mínima energia psíquica necessária para não se extinguirem por completo ; e antes talvez de serem autorizadas a voltar a viver no plano material sob o império das leis desconhecidas de onde saíram ,  às deveriam cumprir à risca para escaparem ao terror da segunda morte, ameaça que pesa em tempo integral sobre qualquer consciência desencarnada ; no estado de Devakan tais almas foram certamente submetidas à um regime muito particular de tortura por meio de afogamento, à qual só sobreviveram pela incrível compaixão de ''alguns '' Mestres, e de forma alguma de ''todos '' Eles.  E a verdade é que de tais leis desconhecidas, em vida, só se aproximam realmente aquelas almas capazes de um trabalho profundo de inteligência e meditação , iniciação e iluminação, permanecendo invisíveis apenas (e ainda assim !) para a grande maioria de tolos cuja morte representará apenas um terror mil vezes maior do que o que foi experimentado neste plano. 

K.M.

VIES (par A. Rimbaud)

III

Dans un grenier où je fus enfermé à douze ans j'ai connu le monde, j'ai illustré la comédie humaine. Dans un cellier j'ai appris l'histoire. À quelque fête de
nuit dans une cité du Nord j'ai rencontré toutes les femmes des anciens peintres. Dans un vieux passage à Paris on m'a enseigné les sciences classiques. Dans une magnifique
demeure cernée par l'Orient entier j'ai accompli mon immense œuvre et passé mon illustre retraite. J'ai brassé mon sang. Mon devoir m'est remis. Il ne faut même plus
songer à cela. Je suis réellement d'outre-tombe, et pas de commissions.

domingo, 29 de janeiro de 2017

DIMANCHE (par A. Rimbaud)



Les calculs de côté, l'inévitable descente du ciel et la visite des souvenirs et la séance des rhythmes occupent la demeure, la tète et le monde de l'esprit.

— Un cheval détale sur le turf suburbain, et le long des cultures et des boisements, percé par la peste carbonique. Une misérable femme de drame, quelque part dans le
monde, soupire après des abandons improbables. Les desperadoes languissent après l'orage, l'ivresse et les blessures. De petits enfants étouffent des malédictions le long
des rivières. —

Reprenons l'étude au bruit de l'œuvre dévorante qui se rassemble et remonte dans les masses.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Não é incrível (?!)

 Na verdade, os exercícios de interpretação dela tinham tanto mais importância para mim  quanto mais difíceis de decifrar eram meus escritos. ----- Divertido, divertido (eu disse de novo) O que realmente se passa é que por trás de todo esse triste espetáculo de palavras , treme indizivelmente o desejo que você me leia, a imensa honra de que os aspectos altamente aleatórios, que caracterizam as entranhas da internet,  sejam inteiramente abolidos em você em favor de um universo totalmente meu (.) Veja que tipo de homem eu sou: não estou lhe mostrando nada de novo porque, a despeito de todas as técnicas publicitárias de auto-promoção,  sou perfeitamente capaz de prever quem estará classificada no topo das hit paredes pelos próximos vinte anos; mas em relação ao mundo subterrâneo e telepático da literatura proscrita, a distância entre o escritor e suas leitoras não pára de diminuir, aumentando incrivelmente a tensão semântica em assuntos com os quais  elas têm muito pouco a ver. Não é incrível (?!) -----, 

(:


Muitos sociais-democratas alemães temem ampliar por meio de uma recusa à acordos de livre-comércio as crises que a União Européia enfrenta. Na verdade, temem ampliar a crise de popularidade que a ''situação'' enfrenta na Alemanha. A '' grande coalizão'', na mais antiga social-democracia do mundo, se encontra tomada pelas dúvidas, a falta de pontaria política e por uma crise de identidade cada vez mais profunda. O Brexit e a ''ascensão '' de Donald Trump certamente contribuíram para esse cenário. Apesar de tudo, nem as manifestações hostis do povo alemão contra o acordo euro-canadense, nem a mãozinha amigável do SPD, foram capazes de decidir o caso de forma definitiva. O SPD pretende defender os assalariados, mas adota decisões que vão contra seus interesses. Bruxelas urge colocar os acordos de livre comércio em prática o quanto antes, de cima para baixo como sempre. Mas, em 11 de outubro, após as queixas contundentes de mais de 190 mil alemães, a Corte Federal de Justiça ameaçou barrar certas disposições que podem limitar a aplicação do AECG. O julgamento afirma que a União Européia deverá se limitar à colocar em prática apenas seus direitos aduaneiros. Tudo o que ultrapassa tais direitos (competência da UE), incluindo tribunais de arbitragem, proteção do trabalho e da propriedade intelectual, necessita de ratificação pelos respectivos países. Um julgamento negativo do caso tornará impossível a ratificação do acordo pelo Governo Federal alemão. Anular a aplicação provisória do acordo é o mínimo de sensatez que o povo alemão exige de seu governo, neste momento.

K.M.

IMPOPULARIDADE DOS TRATATOS COM CANADÁ E ESTADOS UNIDOS

A insurreição alemã contra o livre comércio

 http://diplomatique.org.br/a-insurreicao-alema-contra-o-livre-comercio/


Ao se recusar a aprovar o Acordo Econômico e Comercial Global (AECG) entre o Canadá e a União Europeia, o Parlamento da Valônia, na Bélgica, atraiu para si a fúria dos dirigentes europeus e dos editorialistas da mídia comercial. Agora, esse tratado alimenta uma forte contestação popular, especialmente na Alemanha
Quem iria acreditar? Foi na Alemanha, terceiro país exportador do mundo, que se desenvolveu uma das mais fortes mobilizações europeias contra os acordos de livre-comércio entre a América do Norte e o Velho Continente: o Grande Mercado Transatlântico (GMT, mais conhecido por sua sigla em inglês Tafta), em fase de negociação, e o Acordo Econômico e Comercial Global (AECG, com frequência designado por seu acrônimo inglês Ceta), que entrou em fase de ratificação.1 Em 17 de setembro de 2016, manifestações organizadas em sete grandes cidades reuniram 320 mil participantes segundo os organizadores; 190 mil segundo a polícia. Em 10 de outubro de 2015, 250 mil manifestantes vindos de todo o país desfilaram em Berlim.
Polêmicas sobre o número de participantes à parte, essa mobilização contra a política comercial europeia constitui um dos maiores movimentos de protesto desde a reunificação. Vários estudos sugerem que ele traduz – ou induz a – um deslizamento profundo do julgamento popular realizado sobre esses acordos. Em fevereiro de 2014, os apoiadores do GMT representavam 55% da população (contra 25% de adversários); um ano depois, a proporção se equilibrou e, em seguida, se inverteu: em junho de 2016, três quartos de pessoas entrevistadas rejeitavam o tratado. Colocado mais tardiamente no centro do debate público, o AECG também desperta mais rejeição que adesão.2
A contestação agrega uma frente social tão ampla quanto heterogênea. Ali se acotovelam organizações de defesa do ambiente e dos consumidores, como o Greenpeace e o Foodwatch, assim como os contrários à globalização que integram a Associação para a Taxação das Transações Financeiras para a Ajuda aos Cidadãos (Attac), mas também a Confederação Alemã dos Sindicatos (DGB), associações e ainda o Conselho da Cultura – uma confederação que defende sobretudo os interesses de teatros, óperas, museus e orquestras sinfônicas. A União das Comunas Alemãs (DST), que congrega 3.400 cidades e localidades, exigia já em 2014 que “os serviços de base ligados às comunas, em particular os domínios ainda não privatizados, como o fornecimento de água e o esgotamento, o tratamento dos dejetos e os transportes públicos locais, os serviços sociais, assim como todos os serviços públicos do campo da cultura”, fossem explicitamente mantidos fora das negociações.

“Uma nova mentalidade isolacionista”
Numa resolução de seu sínodo, a Igreja Evangélica, que representa cerca da metade dos cristãos alemães, também exige transparência das negociações. Ela se opõe à flexibilização das normas sociais e ambientais, assim como à privatização dos serviços públicos. A Igreja Católica é mais reservada, mas advoga que os interesses dos países em desenvolvimento sejam levados em conta e recusa os tribunais de arbitragem privados.
Essas jurisdições especiais, que permitem aos investidores atacar Estados e coletividades locais, cristalizam a rejeição.3 A Associação dos Magistrados Alemães (DRB) tomou posição contra sua efetivação. Os juízes não protestam apenas contra os tribunais inicialmente previstos pelo GMT e pelo AECG, mas também contra a nova versão requentada para se opor à crítica, tal como o AECG prevê hoje: uma corte de arbitragem constituída de juízes profissionais e em consonância com uma corte de apelação. “Criar tribunais especiais reservados a grupos de pessoas passíveis de julgamento seria um erro”, declararam os magistrados em fevereiro de 2016.
O mundo político apresenta uma paisagem mais contrastante. Entre os representantes no Bundestag, os dois partidos de oposição, o partido de esquerda Die Linke e os Verdes, logo de saída contestaram os acordos. Muitos de seus membros se engajaram em iniciativas extraparlamentares, ações e comitês locais. O eco favorável encontrado pelo movimento forçou os grandes meios de comunicação, inclusive a televisão pública, a respeitar certo equilíbrio de tempo de fala – um pluralismo raramente observado no tratamento dos debates sociais. Nesse sentido, o movimento oferece um exemplo interessante do que a oposição extraparlamentar e uma forte mobilização podem realizar quando os meios de comunicação de massa difundem seus propósitos sem lhes deturpar o viés.
No lado contrário, encontramos os representantes dos interesses empresariais, a grande maioria dos economistas acadêmicos – na Alemanha mais ainda do que em outros lugares, majoritariamente neoliberais –, o governo federal, a União Cristã Democrata (CDU) e a União Cristã Social na Baviera (CSU). A Federação das Indústrias Alemãs (BDI) vê no GMT perspectivas de crescimento e declara em seu site que o acordo “criaria empregos, permitiria aumentos de salário e ofereceria melhores chances de carreira”. Desde então, a rejeição maciça suscitada pelos dois acordos deixou o patronato perplexo. “Não consigo entender por que, nos últimos tempos, uma nova mentalidade isolacionista se espalha cada vez neste país”, lamenta Ingo Kramer, membro da direção da Confederação das Associações Patronais. Seu colega Ulrich Grillo, presidente da BDI, enxerga nisso uma marca de antiamericanismo e julga que o debate está falseado pelos discursos geradores de ansiedade e simplificadores. Defensora há uma década de um acordo com os Estados Unidos, a chanceler Angela Merkel insiste nessa linha. Ela propunha ainda em setembro a retomada das negociações sobre o GMT, na época em ponto morto, e desejava “defender tudo que fosse passível de criar empregos. O acordo de livre-comércio faz parte disso”.
No meio desse enfrentamento, a posição do Partido Social-Democrata (SPD) não tem nada de claro nem legível. A oposição ao GMT desenvolveu-se rapidamente na base do partido, e algumas figuras proeminentes emitiram críticas, como Heiko Maas, ministro da Justiça, hostil aos tribunais de arbitragem privados. Nesse contexto, os sindicatos desempenham um papel mais importante na medida em que conservam relações privilegiadas com o SPD. A maioria dos funcionários – entre eles o presidente da DGB, Reiner Hoffmann – é integrante do partido. Ainda que a DGB e seus sindicatos-membros lembrem regularmente que não se opõem ao livre-comércio por princípio, eles exprimem a recusa em relação ao GMT e ao AECG em sua forma atual.
Ironia do acaso, é o presidente do SPD, Sigmar Gabriel, que, na qualidade de ministro da Economia da grande coalizão, dirige a política comercial do país. Vendo os debates internos, Gabriel e Hoffmann elaboraram em 2014 um documento que enumera as condições segundo as quais estariam prontos a aprovar um acordo: nada de flexibilização das normas, nada de medidas de desregulamentação constrangedoras, respeito às convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), manutenção das regras de cogestão alemãs.
Os adversários dos tratados pareciam ter levado a melhor. A ilusão rapidamente se dissipou. No Fórum Econômico Mundial de Davos em 2015, Gabriel os qualificou de “histéricos”. Diante de uma plateia composta de líderes empresariais e do embaixador dos Estados Unidos, ele defendia apaixonadamente o GMT, antes de estimar que se falava “muito das galinhas cloradas [que o tratado permitia que os Estados Unidos exportassem] e não o suficiente das repercussões geopolíticas”. Em 28 de agosto de 2016, no entanto, ele declarava com estrondo que as negociações do GMT tinham “de fato fracassado, mesmo que ninguém admitisse isso de verdade”. Apresentando-se como um pioneiro do comércio justo, o ministro tinha adotado uma posição de recuo: abandonar um GMT atolado e fazer dar certo o acordo com o Canadá.
Desde então, a direção do partido empenhou-se de todas as formas para impedir uma rejeição do AECG em suas fileiras. Em meados de setembro, Gabriel, decidido a desenvolver o texto já negociado, partiu rapidamente para o Canadá e arrancou do novo governo liberal de Justin Trudeau uma concessão simbolicamente forte: a substituição dos tribunais de arbitragem privados por um comitê que abrangia os juízes profissionais e oferecia a possibilidade de opor recurso – uma mudança que em nada modifica o caráter iníquo dessa jurisdição. “O AECG visa antes de tudo instituir entre os países mais desenvolvidos um procedimento de proteção dos investidores. Isso significa privilegiar o patronato introduzindo uma assimetria inaceitável em nosso sistema jurídico”, estima uma figura do movimento de oposição, Jürgen Maier, secretário-geral do fórum Ambiente e Desenvolvimento.
Nesse processo, vários pontos de atrito se tornaram objeto de anúncios tranquilizadores: protocolo adicional contra as empresas de fachada com domicílio em países terceiros; proteção dos serviços municipais e garantia das normas ambientais; e facilitação da “cooperação regulamentar” (um procedimento que, em sua forma inicial, tomava espaço do poder legislativo). Mas a tradução concreta desses anúncios demora, e os adversários não constatam nenhuma melhora concreta do acordo. “Só haverá progresso real quando se colocar um fim ao AECG e as negociações forem retomadas do zero”, declarava em setembro a presidente federal dos Verdes, Simone Peter.
A quilômetros desse estado de espírito, a presidência e o escritório do SPD aprovaram o compromisso com uma maioria esmagadora. Para impô-lo a uma base recalcitrante, eles convocaram em 19 de setembro uma convenção do partido – a mais alta instância de decisão entre dois congressos, composta de representantes eleitos cuja opinião não reflete necessariamente a dos simples militantes.4 Na presença da ministra do Comércio canadense, especialmente convidada para tranquilizar os representantes, os dois terços dessa assembleia aprovaram o novo texto.

Intervenção da Corte Federal de Justiça
O contexto político dessa demonstração de força pesou. Assim, o SPD acabou não escolhendo seu líder para as eleições legislativas de 2017. Uma derrota de Gabriel em relação ao AECG teria comprometido sua candidatura. Além disso, muitos sociais-democratas temiam ampliar por meio de uma recusa as crises que a União Europeia enfrenta. O “não” teria igualmente fragilizado a grande coalizão.
Esse debate desnuda a contradição do SPD: ele pretende defender os assalariados, mas adota decisões que vão sempre de encontro a seus interesses. Assim, a mais antiga social-democracia do mundo se encontra tomada pela dúvida e corroída por uma crise de identidade. Desde as reformas neoliberais conduzidas pela coalizão social-democrata-verde de Gerhard Schröder (1998-2005), sua base eleitoral sofre erosão. O partido que havia obtido 45% dos votos com Willy Brandt em 1972 vê essa pontuação dividida por dois anos nas intenções de voto.
Nem as manifestações hostis nem a mãozinha amigável do SPD conseguiram decidir de forma definitiva o destino do acordo euro-canadense. A União Europeia esperava colocá-lo em prática a título provisório antes do fim do ano, ou seja, antes de sua ratificação pelos Parlamentos nacionais. Mas, em 11 de outubro, em seguida à queixa coletiva feita por 190 mil cidadãos, a Corte Federal de Justiça se pronunciou. Se os magistrados de Karlsruhe ainda fincaram pé – isso pode levar ainda vários meses –, eles barraram disposições que podem limitar a aplicação provisória do tratado. O julgamento reafirma que a União Europeia deverá se limitar à colocação em prática de suas competências exclusivas, ou seja, principalmente os direitos aduaneiros. O AECG é de fato um acordo considerado “misto”: tudo que ultrapassa os direitos aduaneiros, aí incluídos os tribunais de arbitragem, a proteção ao trabalho ou a propriedade intelectual, necessita de uma ratificação pelos Parlamentos nacionais. A corte também determinou que um julgamento negativo profundo tornaria impossível qualquer ratificação pelo governo federal. Mesmo a aplicação provisória deveria, portanto, ser anulada!
Para o movimento de oposição, esse julgamento não representa de fato uma vitória, mas uma primeira batalha. Isso significa que não somente o Bundestag, mas também o Bundesrat (a câmara dos Länder) devem aprovar o acordo. Acontece que membros dos Verdes e do Die Linke, contrários ao AECG, fazem parte das coalizões de governo em doze das dezesseis Länder, os quais deveriam a priori se abster. O SPD e a CDU-CSU só dirigem quatro Länder, aos quais se junta a Baviera, dominada pela CSU. Nessas circunstâncias, é pouco provável que o acordo tenha sucesso.

1    Ler o dossiê on-line do Le Monde Diplomatique, “Grand marché transatlantique” [Grande Mercado Transatlântico], assim como Pierre Kohler e Servaas Storm, “Rejet wallon du CETA, nouvel accroc pour le libre-échange” [Rejeição da Valônia do AECG, novo contratempo para o livre-comércio], La Valise Diplomatique, 14 out. 2016. Disponível em: <www.monde-diplomatique.fr>.
2    Pesquisas realizadas pelo Emnid, um dos mais importantes institutos de pesquisa na Alemanha, filial do Taylor Nelson Sofres (TNS).
3    Ler Maude Barlow e Raoul Marc Jennar, “Le fléau de l’arbitrage international” [O flagelo da arbitragem internacional], Le Monde Diplomatique, fev. 2016.
4    O partido irmão austríaco do SPD, o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ), organiza por seu lado um referendo sobre o AECG, que permite a cada membro se pronunciar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A todo momento sentimos que algo nos escapa.

O último tema parecia ter chegado a uma conclusão, enquanto nas centenas de páginas nas quais eu iria prosseguir, com um ímpeto frequentemente renovado por técnicas de ocultismo, a mesma história devia agora elevar-se a peripécias de intento bem diversas, donde uma alteração do sentido que lembrava muito a idéia do deslocamento do ponto de aglutinação, de Don Juan Matus. Mesmo hoje, ela ainda nos perturba, engajando-nos numa tarefa criativa desmesurada, e numa experiência que ultrapassa em muito as previsões racionalistas. Tudo se torna mais difícil quando o ponto de aglutinação se desloca, sem dúvida, menos seguro, mas não necessariamente mais sombrio, pois aquilo que nos chega é por vezes uma nova luz , às vezes sensível e simples, às vezes extremamente perturbadora. A todo momento sentimos que algo nos escapa, que as cartas não estão todas na mesa, e nos surpreendemos, nos assustamos, nos rebelamos diante dos excessos de maquinação autopoiética: excesso de percepções, de sínteses instantâneas e omniabarcantes, excesso de abstrações desnovelantes do novo rigor. O exaltante é que a continuação imprevisível do livro não está ligada ao aprofundamento de nenhum tema específico, mas torna-se necessária pela mitologia própria do escritor rigoroso e à coerência das visões que extrai de cada deriva. Um escritor como esses seria incapaz de escrever apenas para acalentar ilusões, esforçando-se em vão para arejar o quadro de um encardido plano premeditado.

K.M.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Paixonite conservadora e ''palpites noticiosos'' .

Steve Bannon pareceu ter uma grande relevância durante a campanha presidencial porque pôde plagiar muita gente infinitamente mais habilidosa e eficiente que ele que estava na ativa; mas agora a situação é outra, e diante do cerco da mídia liberal, que não está precisando nem mesmo inventar notícias para complicar os passos do presidente, seu trabalho está sendo devolvido à sua dimensão real : a de um Dom Quixote conservador lutando contra moinhos de vento no limite de uma imaginação estupefata. No plano real, a paixonite conservadora e o ''lenço de papel '' do distorcionismo só funcionam acompanhados de um poderoso magnetismo pessoal, algo de que ele e suas estratégias publicitárias simplórias carecem por completo. Tudo em torno de seus ''palpites noticiosos'' flutua numa indiferença absoluta , alimentando-se de uma obsolescência acelerada, incapaz até mesmo de gerar mal- entendidos. Culturalmente ''bloqueado'' , seu trabalho é um equívoco, e só servirá como mais um, entre milhares de outros trampolins contestatórios. 

A atração e a eficiência exercida pela fraseologia combativa no contexto de uma campanha presidencial, onde o pano-de-fundo lúdico-estético-hedonista-intimista-psicologista-midiático absorve os discursos para miná-los e esvaziá-los de conteúdo , perde toda relevância no plano governamental, onde tal sistema só consegue limitar-se a uma espécie de culto da salvação oficial. 

O império da sedução midiática ainda é o coveiro eufórico do liberalismo, e pertence inquestionavelmente à Grande Mídia Liberal.

K.M.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O sinal que indica alta velocidade .

Eu já a havia despistado . Meu sentimento encontrava nela a força elétrica de uma vontade de corresponder que me repelia com vivacidade ; em seus olhos eu via essa força soltar faíscas . Eram olhos daquela família dos que (que diziam as pupilas ?) parecem feitos de vários pedaços, por causa dos vários lugares onde eles desejam encontrar-se , ocultando o que querem achar . Olhos, por mentira sempre imóveis e passivos, mas dinâmicos, mensuráveis pelos metros e quilômetros que é preciso transpor para chegar ao local do encontro marcado, implacavelmente marcado, olhos que sorriam menos ainda ao prazer que os seduz do que se aureolam da tristeza e do desânimo de que talvez existam obstáculos para ir a tal encontro.  Entre nossas mãos, tais seres são sempre criaturas em fuga. Para compreender as emoções que causam e que outras até mais belas não causam , é preciso calcular que tais olhos estão, pelo contrário, não imóveis, mas em movimento , e acrescentar à sua pessoa um sinal correspondente ao que em física é o sinal que indica alta velocidade .

K.M.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“No soy yo quien ha cambiado, sino el tiempo y las circunstancias.”


“No soy yo quien ha cambiado, sino el tiempo y las circunstancias.”

C.M. Talleyrand

 Y Talley estaba en lo cierto. Durante su prolongada trayectoria sirvió como clérigo a Luis XIV y luego –al abandonar sus hábitos– a la Revolución Francesa, al Directorio, al Consulado, a Napoleón Bonaparte, etc.

 En definitiva, y como decía Emile Dard: 

“Si hay un reproche que no se le puede hacer (a Talleyrand) es haber abandonado al Emperador en su caída, se separó de él en su propia gloria.”

domingo, 22 de janeiro de 2017

Substituição do momento ÉPICO pelo CONSTRUTIVO.

Quando Engels dirigiu a Mehring sua famosa carta sobre materialismo histórico, este último já havia  passado tanto pelo nacionalismo quanto pela Escola de Lassale, que preparou o nascimento do Partido Social Democrata alemão . Segundo Walter Benjamin, é mais ou menos nessa época também que Eduardo Fuchs inicia seu trabalho pioneiro de ''colecionador'' , fundando um arquivo, único na sua espécie,  que documento não só a história da caricatura , mas também da arte erótica e dos quadros de costumes.  É daí que surge toda a teoria materialista da arte , quando Fuchs alcança suas ´''vitórias''  jornalísticas.  

Na carta de Engels datada de 14 de julho de 1893 , pode-se ler, entre outras coisas , o seguinte : 

''Aquilo que mais contribui para a cegueira da maior parte das pessoas é essa aparência de uma história autônoma das formas de organização política, dos sistemas do Direito , das concepções ideológicas nos seus respectivos domínios específicos.  Quando acontece a ''superação '' da religião oficial católica oficial por Lutero e Calvino,quando Hegel supera Fichte e Kant , ou Rousseau , indiretamente , com seu Contrato Social, o constitucionalista Montesquieu, trata-se de um processo que permanece dentro dos limites da teologia, da filosofia , da teoria política , que representa  apenas uma etapa na história dessas áreas do pensamento humano e não sai delas. E desde que a ilusão burguesa da natureza eterna e em absoluto definitiva da produção capitalista chegou a essa conclusão, até a superação dos mercantilistas pelos fisiocratas e Adam Smith é vista como uma mera vitória do pensamento, não como o reflexo, no pensamento , da transformação de fatos econômicos, mas como a visão concreta e finalmente alcançada de condições reais eterna e universalmente vigentes ''. 

(Citado por Gustave Mayer em Friederich Engels, Eine Biographie , volume II : Engels und der Aufstieg der Arbeiterbewegung in Europa. Engels e a Ascensão do Movimento Operário na Europa ).

Engels contesta nessa carta o hábito , na história das idéias, de sempre se apresentar um novo dogma como ''evolução'' de um anterior , e o de apresentar novas constelações de idéias  separadas dos efeitos sobre as pessoas e do seu processo de ''produção'' (poiésis) , tanto espiritual como econômico.  E a força explosiva dessa idéia , que Engels não abandonará por mais de meio século , alcança muito mais fundo.  Ela nos ensina sobretudo como a RECEPÇÃO  pelos contemporâneos é parte integrante do efeito de uma obra de arte ou uma idéia  (filosófica, política ou econômica)  , e como este último assenta no encontro não apenas com a obra, mas também com a história.

Outro grande cérebro humano que deu-nos a entender mais ou menos a mesma coisa foi Goethe, ainda que de forma velada . Numa conversa com o chanceler Von Muller sobre Shakespeare, ele diz

''Tudo aquilo que exerceu uma grande influência não pode , de fato ,  ser objeto de um único juízo sem desqualificar completamente o analista isolado ''.

Desassossego imenso pelo desafio ao investigador no sentido de abandonar imediatamente qualquer atitude tranquila e contemplativa em relação ao objeto artístico, para tomar consciência de toda a constelação crítica em que se situa precisamente . Foi também assim que o materialismo histórico se viu obrigado a renunciar ao elemento épico da história. Para ele , ela torna-se o objeto de uma CONSTRUÇÃO cujo lugar é constituído não pelo tempo vazio das análises de superfície dos fenômenos históricos, mas por uma época , por uma biografia, por uma gênese, uma fama e a recepção de uma obra ou uma idéia determinada . Ele arranca impiedosamente a época à ''continuidade histórica'' reificada  e falsificada , e assim também a vida à sua época e uma determinada obra ao conjunto de uma ''oeuvre'' . A substituição do momento épico pelo CONSTRUTIVO revela ser a condição dessa experiência reveladora, pois nela libertam-se as gigantescas forças que permanecem presas ao ''Era uma vez '' do historicismo. Acionar no contexto da história a experiência que é para cada presente uma experiência originária ---- essa foi de regra a principal contribuição do materialismo histórico para a tomada de consciência do ser humano perante sua condição.

K.M.





sábado, 21 de janeiro de 2017

Zonas de fronteiras psíquicas.

Meu incomparável conhecimento da caricatura antiga abriu-me bastante cedo na vida o caminho para a obra de Toulouse-Lautrec, de Heartfield e George Grosz. Minha paixão por Daumier levou-me diretamente à Slevogt,cuja visão de D. Quixote me pareceu a única à altura de Daumier. Alguns estudos de cerâmica que realizei na adolescência deram-me uma autoridade incomparável para apoiar o aspecto visual da minha literatura na obra de Emil Pottner . E foi (sem dúvida) o colecionador que havia em mim que ensinou ao teórico a apreender muita coisa a que meu próprio tempo me barrava o acesso. O colecionador que entrou clandestinamente por zonas de fronteiras psíquicas ---- o retrato deformado ,ou mesmo a representação pornográfica, esse impulso subterrâneo tão poderoso em mim -----nas quais uma série de chavões da história da arte tradicional mais cedo ou mais tarde fazem fracassar. Praticamente desde as primeiras linhas que escrevi, não é possível encontrar aqueles conceitos que haviam servido à burguesia ocidental para desenvolver sua concepção de arte: nem a bela aparência, nem a harmonia, nem a unidade do diverso. Encontramos aqui a mesma  auto-afirmação excludente do colecionador, em sua WUNDERKAMMER , decidido a afastar-se tanto do classicismo quanto do sofrível sentido de humor da arte popular. E isto é algo que evidencia-se, inclusive , de forma até drástica e brusca , na minha forma de relacionar-me com a Antiguidade. A nova forma da beleza que meus diversos tipos de registro anunciam nos seus resultados finais é ''infinitamente maior que a da Antiguidade'' , pois se esta era apenas manifestação suprema da ''forma animal'' , a nova beleza que emerge da minha concepção de arte será preenchida cm um grandioso conteúdo intelectual e anímico. Até mesmo aquela escala de valores tão refinada, que na época de Winckelman e Goethe determinara uma certa relação com a obra de arte , perde completamente sua influência aqui .Quando  os ''disiecta membra '' a que o idealismo chama '' representação histórica '' , por um lado , e ''homenagem celebratória'' , por outro, se transformam em um só, ainda assim as exigências da minha poesia anunciam a superação também disso.  Um feito poético cujo objeto não está constituído por um novelo de pura facticidade ,  como nas derrapagens filosóficas do concretismo , mas por um conjunto determinado de fios que representam a inter-penetração de dois planos em um só : do arquétipo imemorial e eterno no presente informativo mais vertiginoso.

K.M.

Post Scriptum

Sabemos que a pintura  em madeira mais antiga punha o homem a morar em espaços pouco maiores que guaritas . Os pintores do s começos do Renascimento foram os primeiros a pintarem espaços interiores em que as figuras representadas têm ''espaço de ação''. Foi exatamente isto que tornou a invenção da perspectiva por Ucello tão impressionante para os contemporâneos e para ele próprio . A pintura, que a partir de então passou a oferecer suas criações mais do que nunca aos homens no lugar em que viviam (em vez de, como antes , as fazer para lugares de oração), deu-lhes novos modelos de habitação, e não se cansou, desde então, de erguer diante deles perspectivas de grandes moradias . O Renascimento tardio, muito mais sóbrio  na representação do interior propriamente dito,continuou a seguir essa tendência. 

Em '' Die Klassiche Kunst. Eine Einfuhrung in die italienische Renaissance '' , Heinrich Wolfflin diz que  ''O Cinquecento tem uma sensibilidade particularmente desenvolvida para a relação entre o homem e a obra arquitetônica, para a ressonância de um belo espaço '', e que ''é quase impossível conceber a existência humana sem o enquadramento e a fundamentação arquitetônicas''. 

K.M.






sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Mais uma nota na linha do argumento.

A última frase do capítulo anterior  terminou assim :

''... caminhamos ... ignorando se...  a face final da Presidência e da América será a de Abraham Lincoln  ou a de Dorian Gray ''. 

A resposta agora salta aos olhos. 

Todos mantivemos a serenidade sob nossas pálpebras.

Navegamos em água branda, pendurados nos fios elétricos da noite.

Meu artigo foi escrito doze semanas antes da inauguração do novo governo, antes mesmo que eu começasse a trabalhar no meu novo livro,chamado  : ''Os homens foram imaginados livres para que pudessem ser condenados ''. 

Se as coincidências dão prazer a alguém, porque não dariam a mim ?

Chegou o momento de pedir um intervalo ? Não creio.  

Tivemos certamente problemas difíceis, golfadas na areia, cordeiros rugindo, leões balindo, e uma quantidade nunca antes vista de ... cães . É tempo agora de uma ou duas diversões, para aquele gênero de peças que não precisam , em nome da melhor literatura, a de Proust, ser impressas ou reimpressas.

Talleyrand

(ao contrário do que dizia aquele agravo do Marquês de Sade)

(NÃO) há de

rogar-vos uma praga.

K.M.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

''Uno de esos hombres que no debía morir jamás.”



Guillermo Del Bosco

“No he dado jamás un consejo perverso a un gobierno o a un príncipe, pero no me desmoroné con ellos. Después de los naufragios hacen falta pilotos para recoger los náufragos. Tengo sangre fría y los llevo a un puerto cualquiera; poco importa el puerto, siempre que ofrezca un refugio.”

Charles Maurice Talleyrand-Perigord
(1754-1838)

Introducción
La Revolución Francesa quebró el sistema de gobierno vigente y creó un permanente estado deliberativo como consecuencia de la falta de consensos para reemplazar el viejo orden. Éste es el inicio de una sucesión de distintos regímenes políticos que sobrevinieron hasta volver a la monarquía, la que se entendía sepultada para siempre. Dentro de este contexto histórico actuó Talleyrand y su versatilidad, como la de muchos otros, fue explicada años más tarde diciendo: “no soy yo quien ha cambiado, sino el tiempo y las circunstancias.” Y estaba en lo cierto. Durante su prolongada trayectoria sirvió como clérigo a Luis XIV y luego –al abandonar sus hábitos– a la Revolución Francesa, al Directorio, al Consulado, a Napoleón Bonaparte, a Luis ventajosamente se habrá perdido también.” En definitiva, y como decía Emile Dard, “si hay un reproche que no se le puede hacer (a Talleyrand) es haber abandonado al Emperador en su caída, se separó de él en su propia gloria.”

En su testamento, Napoleón perdonó a Talleyrand, junto a Marmot, Augereau y La Fayette, pero advirtió: “Ojalá que la posteridad francesa los perdone como yo.”

Lo cierto es que la deslealtad y la corrupción ya estaban enquistadas en la nobleza francesa. Benedetta Craveri recuerda que en el siglo XVII: “las memorias del Cardenal Retz o las del duque de La Rochefoucauld nos demuestran con creces cuán inescrupulosa era la ética nobiliaria en lo tocante a la lealtad y a la obediencia al soberano, así como que, por regla general, los intereses de la familia prevalecían sobre los de la corona y el país.”

Talleyrand no fue solamente un político alejado de las prácticas morales, otros contemporáneos como Mirabeau, Danton, Barras, Fouché, etc., también lo fueron.

Al respecto, algunos historiadores señalan que la corrupción de los hombres públicos en esos tiempos era una herencia que se había afirmado ya en los tiempos de Luis XIV y Talleyrand, en definitiva, era un hombre de ese siglo. “El que no ha vivido antes de 1789, manifestó, no conoce el placer de vivir.”

Charles-Maurice hizo pingües negocios en la bolsa a través del manejo de la información reservada de gobierno –y de ciertas prácticas corruptas que afloraban, en su caso, del entramado de las políticas con terceros países. Prácticas deshonestas que le brindaron el recurso que le permitiría sostener el nivel de exposición de un noble que disfrutaba de la vida de relación y servía para apuntalar sus ambiciones. Al respecto, nos legó esta frase ocurrente que en cierto modo habla de su descaro: “Para hacer fortuna, no es necesario tener ingenio, hace falta no tener delicadeza.”

Crane Brinton, americano especializado en historia francesa, califica a Talleyrand de inmoral y, al compulsar su falta de moral y las cualidades técnicas de este discutido personaje, pregunta: “¿si necesitásemos una operación quirúrgica, preferiríamos que la realizara un cirujano mediocre indudablemente fiel a su mujer o un cirujano sumamente competente culpable de adulterio?”

Supuestamente por esas graves faltas corrupción y deslealtad. Francia –su tierra natal– le negó el reconocimiento. Ningún monumento recuerda sus servicios prestados al país, salvo el castillo de Valençay, que fuera su propiedad, que interpretamos libremente como un homenaje a su memoria. En él hay un museo con los muebles y prendas de este discutido personaje. Entre otras cosas muestra la cama donde falleció, el zapato ortopédico que usaba y el bastón que contrarrestaba la cojera ayudándolo a caminar. Víctor Hugo luego de su muerte señaló: era “cojo como el diablo”.

Su personalidad

Sus padres pertenecieron a la nobleza francesa. En particular, tuvo una infancia sin afecto familiar y a ella se refirió en estos términos: “Soy tal vez el único hombre de  Talleyrand: vida y sentencias 

cuna distinguida y perteneciente a una familia numerosa y considerada que nunca disfrutó,
durante una semana de su vida, de la alegría de vivir bajo el techo paterno.” En ese período de su vida afirmó, tal vez con vergüenza, que la cojera fue el resultado de una caída que tuvo siendo niño. El historiador Michel Poniatowski que investigó los calzados de Charles-Maurice llegó a la conclusión que tenía los dos pies deformes debido al denominado síndrome de Marfan. Su niñez sin el afecto de los padres, los defectos físicos y la frustrada vocación religiosa fueron moldeando el carácter de Charles-Maurice.

Ya durante su época como seminarista –ingresó a los 16 años al seminario de la Orden de Saint Sulpice– era un hombre mundano, condición que acrecentó al dejar los hábitos. Con sinceridad confesó su falta de vocación sacerdotal: “En mi juventud me llevaron hacia una profesión para la cual no había nacido.” Afirman sus allegados que su cojera fue la razón determinante para que sus mayores le indicaran ese camino, otros se refieren a que un tío –alto miembro del clero– pudo haber influenciado en su elección.

En 1779 se ordena sacerdote y luego durante tres años estudia teología en la Sorbona, y en 1789, a los 35 años, es designado Obispo de Autun, con una renta anual aceptable, pero toma la decisión de radicarse en París, punto de partida de su carrera política. En 1791 participa activamente de la Revolución Francesa y renuncia al obispado. Posteriormente es suspendido en el ejercicio del orden episcopal y luego excomulgado. En 1802 Pío VII lo vuelve a la vida secular y laica.

Al igual que Richelieu, Mazarino, Retz y otros, Talleyrand formó parte de esa nobleza clerical de extraordinario talento que la Iglesia aportó al Estado francés. Sus condiciones intelectuales estaban respaldadas, como siempre lo reconoció, por su paso por el seminario: “Yo hice mi pequeño Bonaparte en el seminario.” Allí se ilustró y aprendió el latín y el griego que dominó, junto al inglés que adquirirá posteriormente.

Durante toda su vida, dice Louis Madelin, alabó a Saint Sulpice. Meses antes de su muerte reconoció la importancia de los estudios eclesiásticos en la formación de un diplomático.

Era un hombre ambicioso y supo adular para alcanzar los puestos más altos de la administración francesa. También buscó vincularse para acceder a los mismos, incluso con mujeres cercanas al poder de turno, las que colaboraron más de una vez en sus diferentes designaciones. Al respecto, comentó: “En los asuntos importantes es necesario hacer desfilar a las damas.” Su correspondencia muestra que, hasta los últimos días de su vida, siempre privilegió la relación femenina. Él, según ciertos historiadores, buscaba protección en las mujeres de su círculo.

Su ambición estaba acompañada por sus invalorables dotes intelectuales, que ciertamente lo diferenciaban de la mayoría de sus competidores. Durante toda su vida contó con una importante biblioteca, fue un reputado bibliófilo. Para Talleyrand “una buena biblioteca ofrece seguros a todas las intenciones del alma.” Y las obras de Maquiavelo, Voltaire, Richelieu, Locke y en especial las “Memorias” del Cardenal de Retz formaron su personalidad.

Cuando llegó a la cima preocupose en darle mejor posición social y económica a su familia próxima y, en particular, a sus sobrinos.

Fue un “gran seductor”. Su ex condición de obispo y su trato distinguido atrajo a las mujeres de la nobleza y otras sin alcurnia que merodeaban los distintos salones en busca de diversión y status. Asimismo, dentro de este juego supo asumir con resignación e ironía algunas infidelidades. Napoleón, se aprovechó de una de ellas, y lo increpó a diciéndole: “Usted no me ha dicho que el Duque de San Carlos era el amante de su mujer”  y le contestó con ironía: “En efecto, yo no pensé que esa relación pudiera afectar la gloria de su majestad y la mía.” 

En la función pública fue acusado de haragán, lo que no desmintió y más bien reafirmó, indicando que lo importante era escoger como colaboradores a aquellos que trabajan. Como destacó un historiador, tuvo talento para organizar su pereza:

“En mi Ministerio, decía, he hecho trabajar más de lo que he trabajado yo. No hay que enterrarse en los papeles. Es necesario encontrar a un hombre que los maneje. Hay que hacer trabajar a quienes trabajan, y entonces el día tiene más de veinticuatro horas.”

Si bien no fue un buen orador, se destacó como un talentoso conversador, muy ponderado en la sociedad de ese entonces, y en tal sentido los salones de su mansión fueron centros de importantes convocatorias, en las que con humor e ironía exhibía sus particulares dotes. Napoleón le preguntó cual era su secreto para que fuera reconocido como el rey de la conversación en Europa y él respondió “cuando hace la guerra Señor usted elige el campo de batalla. Y bien Señor, yo elijo el terreno de la con- 

las posibilidades de sus propio territorios y no en adquirir o conquistar los ajenos…Francia debería conformarse con sus fronteras naturales…en su propio interés y en el interés de otras naciones que aspiran a ser libres.” Estos principios correspondían a muchos revolucionarios. 

Como Mirabeau, fue partidario de una Monarquía Constitucional, a semejanza de Inglaterra.

Durante esta primera misión en Londres se hizo evidente que estaba en malos términos con la Convención y al mismo tiempo bajo sospecha del Gobierno inglés, el que, luego de la ejecución de Luís XVI (1793) terminó expulsándolo. No pudiendo retornar a su patria, parte a los Estados Unidos. Permaneció dos años (1794-1796) en Filadelfia, y recorrió otras regiones de la costa este.

Regresó a Francia en 1796 y en una memoria que elevó a las autoridades francesas les advirtió sobre el futuro de Estados Unidos y su segura alianza con Inglaterra.

En 1797 es designado Ministro de Relaciones Exteriores del Directorio, renunciando al año siguiente. Luego del 18 de Brumario (9/XI/1799) Talleyrand pasó a integrar el grupo de confianza de Napoleón y es nombrado nuevamente Ministro de Relaciones Exteriores del Consulado, cargo que también desempeñará durante el Imperio, a partir de 1804. Durante este año es designado Gran Chambelán. En 1807 renuncia a su cargo de Ministro, por no estar de acuerdo con la política de Napoleón, quien le acepta la renuncia y lo nombra Vice Gran Elector del Imperio.

Talleyrand no tardó en ser sospechado como desleal. Dentro de ese clima y luego de la desastrosa campaña de Napoleón en España, el Emperador, que no era muy amable con sus ministros, maltrató a Talleyrand en la reunión del Consejo de Estado del 29 de enero de 1809. Lo acusó de traidor, al igual que a Fouché, y además de ladrón y hombre vil y sin Dios lo definió como “una media de seda llena de mierda”.

Charles-Maurice, tal vez en voz baja, le respondió “es una pena que un hombre tan grande, sea tan maleducado”. Talleyrand perdió su cargo de Gran Chambelán.

Pese a este grave momento, el Emperador no tarda en consultarle acerca de su separación de Josefina. Charles-Maurice respaldó su casamiento con María Teresa de Austria, siendo invitado a la boda real que se llevó a cabo en el Louvre en marzo de 1811. Hasta los últimos días de Napoleón en el poder Talleyrand fue un dignatario imperial.

Fiel al pensamiento que expresó en Londres en carta a la Convención, Talleyrand se fue desvinculando de la idea guerrera de la Revolución pues –a su criterio– nunca se podría arribar a una paz definitiva que permitiera diseñar un nuevo mapa europeo. A partir de Napoleón, esa idea tomó más fuerza y alentó el pensamiento de construir una Europa equilibrada y sin hegemonías. Idea que lo llevó a desentenderse de la lealtad debida al Emperador y a negociar con sus enemigos en la trastienda del poder.

Talleyrand sintetizó el ocaso definitivo de Napoleón “en tres faltas capitales: España, Rusia y el Papa…”. En cuanto a la última, cabe recordar que Napoleón –luego de haber restablecido el culto católico en Francia– le privó al Pontífice de su capacidad de designar a los obispos, lo que llevó a una crisis. Talleyrand, quien no había  protestado por la incorporación de los Estados Pontificios al Imperio, la califica de grave y la explica con claridad: si se rompe ese lazo “se cae en el cisma.”

Al comentar su relación con Napoleón, Talleyrand dirá: “Lo que hay de extraño en la conducta de Napoleón a mi respecto, es que en los tiempos en que él estaba lleno de sospechas sobre mí, buscaba relacionarse conmigo. Así, en el mes de diciembre de 1813, él me pidió que aceptara el portafolio de Asuntos Exteriores, lo que rechacé categóricamente, comprendiendo bien que nosotros no podríamos jamás entendernos sobre la sola manera de salir del laberinto en el cual su locura nos había encerrado.”

Durante el período del imperio, Crane Brinton señala que Talleyrand “Nunca inició ninguna medida importante en política exterior. Cumplió, por cierto con suma habilidad, las órdenes que recibió de Napoleón…Durante algunos años las iniciativas políticas de Napoleón coincidieron en líneas generales con las de Talleyrand...” En la práctica Charle-Maurice alcanzó su mejor momento en la elaboración de la política exterior de Francia luego de la abdicación en Fontainebleau. Se sintió más seguro sin la sombra de Napoleón.

Después de la batalla de Leipzig, el ejército de Napoleón se replegó a su territorio nacional; los aliados cruzaron el Rhin y la avanzada a cargo de Alejandro I de Rusia ingresó a París. Tan pronto ocurre este suceso el zar fue invitado por Talleyrand para que se alojara en su domicilio, invitación que aceptó. “Esta pequeña circunstancia, dice Stendhal, decidió la suerte de Francia”. La relación de Charles Maurice con Alejandro se había consolidado en 1808, durante la Conferencia de Erfurt.

Durante las conversaciones, Charles-Maurice expuso toda su capacidad negociadora ante Alejandro y lo convenció sobre la conveniencia del regreso de los Borbones.

En 1814 fue electo por el Senado como Presidente del Gobierno Provisorio, lo que facilitó la designación de Luis XVIII como rey de Francia. En sus Memorias, Talleyrand se refiere a este nombramiento: “Con los Borbones, la Francia cesa de ser gigantesca para convertirse en grande.”

El nuevo rey lo nombró Ministro de Relaciones Exteriores y en tal condición negoció el Tratado de París de 1814 favorable a su país. En sus Memorias, Talleyrand se refiere a los resultados alcanzados: “Me limitaré a recordar que seis semanas después de la entrada del rey en París tenía Francia su territorio asegurado; los soldados extranjeros habían abandonado el suelo francés; con el regreso de las guarniciones de las plazas fuertes y de los prisioneros tenía (Francia) un soberbio ejército, y en fin, habíamos conservado en casi todos lo museos de Francia aquellos objetos de arte conquistados por nuestras armas.”

El rey lo designó como su plenipotenciario al Congreso de Viena de 1815 reteniendo la titularidad de la Cancillería y lo honró con el título de príncipe de Talleyrand.

Fiel a su lema: “en diplomacia puede hacerse de todo, menos improvisar”, arribó a la capital austríaca con las instrucciones que él mismo había elaborado con la venia de Luis XVIII, las cuales guiaron a Charles-Maurice en el diseño del futuro de Europa.

Dichas instrucciones siguen siendo evaluadas como un modelo: “si se llegara a compilar un libro de texto para la formación de los diplomáticos, estas instrucciones  debieran ocupar una de las primeras páginas. No se podría encontrar un modelo más perfecto de concisión y perspicacia…” (Duff Cooper).

Charles-Maurice con sentido previsor, recordó a sus colegas que “el único medio de evitar guerras futuras consiste en no agraviar a una gran nación.” El nuevo ordenamiento geográfico que se estableció a partir de ese encuentro se mantuvo vigente hasta el Tratado de Versalles de 1918.

Para Henry Kissinger, el equilibrio que se estableció en Viena fue obra de Metternich,
y el papel de Talleyrand fue restringido. Más allá de este juicio, lo cierto es que el representante de Luís XVIII logró incorporar a Francia al grupo de las grandes potencias que emergieron luego de la derrota de Napoleón, demostrando una habilidad diplomática que no se puede ignorar, siendo consecuente con su definición:

“Nunca estar solo, jamás estar aislado, no importa lo poderoso que se sea. Eso es toda la
política exterior.”

Luego de Waterloo y en vísperas de la suscripción del nuevo Tratado de París (1815), Talleyrand renunció. La razón de su alejamiento era obvia: no gozaba de la simpatía de los Borbones por su pasado revolucionario y su situación frente a la Iglesia.

Se alejó del poder entre 1815 y 1830, y al final de ese período conspiró junto a Thiers y los liberales para derrocar a Carlos X. Luego de su caída explicó su conducta señalando:

“No soy yo quien ha abandonado al rey, sino que el rey es quien nos ha abandonado.”

En reemplazo de Carlos X asumió Luis Felipe de Orleans, quien el 6 de septiembre de 1830 designó a Talleyrand como Embajador ante Su Majestad Británica.

Ya tenía 76 años. Mientras se desempeñaba en Londres, Bélgica se separó de Holanda (estaban unidas por el Tratado de Viena de 1815) en 1830. Charles-Maurice primeramente sostuvo repartir Bélgica, y luego se aproximó a la tesis inglesa y convenció a Luis Felipe de Orleáns de que el futuro Rey de ese nuevo país no debía pertenecer a la familia real francesa. Al inicio del conflicto –ante la amenaza de intervención militar de Austria– habló de la “no intervención”. Una contraparte inglesa le pidió que definiera ese término y él manifestó: “No intervención es una palabra metafísica y política; que significa poco más o menos lo mismo que intervención.” Finalmente, tanto Francia como Inglaterra intervinieron en el conflicto. Por el Tratado de Londres (1831) se proclamó la independencia y la neutralidad perpetua de Bélgica. El flamante país, en reconocimiento a Talleyrand, levantó en Bruselas una estatua honrando su memoria.

Fue un hombre consecuente con su pensamiento y no se lo puede acusar de incoherencia con sus ideas “Para mí los verdaderos intereses de Francia no están jamás en oposición a los intereses de Europa.” y en particular se mostró partidario de una política acordada con Inglaterra, Charles-Maurice dirá: “una alianza íntima entre Francia e Inglaterra ha sido del comienzo al final de mi carrera, mi deseo más caro…”

Presintiendo que la edad estaba afectando sus dotes intelectuales, en 1835 presentó su renuncia a Luis Felipe de Orleans como embajador en Gran Bretaña, diciendo –entre otros conceptos–: “En su indulgente bondad el rey olvida demasiado a menudo mi avanzada edad: olvida que no le está permitido a un octogenario dejar de ser prudente porque lo que hace tan tristes las faltas de la vejez es que son irreparables.”


Una de sus últimas participaciones en público fue el 3 de marzo de 1838, pocos meses antes de su fallecimiento. En la Academia de Ciencias Morales y Políticas pronunció un discurso en memoria de Reinhard, que lo había sucedido como Canciller en el Directorio. En realidad, más que de Reinhard, Talleyrand habló de sí mismo (Jean Orieux). En tal sentido, se refirió a lo que debía ser la figura de un Ministro de Relaciones Exteriores: “Una especie de instinto que le gobierna, debiera impedirle comprometerse en una discusión. Debe poseer la facultad de aparecer abierto y permanecer impenetrable; debe ocultar su reserva por medio de un descuidado abandono, debe demostrar talento hasta en la elección de sus diversiones. Su conversación debe ser simple, siempre natural y algunas veces ingenua; en pocas palabras no debe ni por un momento durante las veinte y cuatro horas diarias dejar de ser Ministro de Relaciones Exteriores…”

Además, en su exposición, destacó lo que parecía más bien una expresión de deseo: “Aquí hay algo que debo decir para destruir un prejuicio que es casi universal: no, la diplomacia no es la ciencia del engaño y la falacia. Si en algo es necesaria la buena fe, es, sobre todo, en las transacciones políticas, porque es ella las que las hace firmes y duraderas.

La gente ha cometido el error de confundir la reserva con la falsedad. 

Harold Nicolson se refiere a su clara inteligencia y su sentido de la proporción, aspectos que en ciertas ocasiones lo elevan “a la altura de un genio”; Crane Brinton lo define “por su contribución (a la política) bajo dos títulos: su aplicación en la práctica de la técnica maquiavélica y su empleo de la moderación como norma de acción política…”; Carl Grimberg lo considera “por su profunda competencia”. André Castelot, que es un severo detractor, lo acusa de ambicioso, mentiroso, traidor, venal, perezoso, adulador…pero reconoce que “era imposible negarle el encanto de su espíritu, la vivacidad de su inteligencia excepcional y admirable.

No se podía discutir ese conocimiento que tenía del porvenir, ese don inaudito de la premonición…” Sobre su capacidad premonitoria Emmanuel de Waresquiel, en una reciente obra, comenta: “Ubicado en las alturas, él veía mejor que los otros los cambios rápidos y fluctuantes de sus tiempos, él podía dominar las circunstancias, anticiparlas, canalizarlas…” y más adelante agrega “él olfatea finamente y siente bien el viento, sobre todo cuando dobla.” Dicho autor lo define como un pragmático y agrega para Talleyrand:

“La política es la exacta medida de eso que es posible hacer en una circunstancia determinada.” Esta capacidad de presentir el rumbo político junto a su ambición le sirvieron para estar tanto tiempo activo en la vida política francesa y en definitiva, lo ayudaron para imponer sus principios respecto al papel de Francia en Europa.

Este fue el gran legado de este controvertido personaje, al que la historia europea ha colocado junto a los grandes diplomáticos del siglo XIX, como Metternich, Cavour, Disraeli, Bismark y otros pocos.

La Reina Victoria al enterarse del deceso del viejo Talley, como lo llamaba la aristocracia londinense, manifestó: “el Señor Talleyrand era uno de esos hombres que, en mi opinión, no debía morir jamás.”

(.)

“Los diplomáticos piensan dos veces lo que van a decir, sólo, para, después no decir nada”

 “Un arte importante de los políticos es encontrar nombres nuevos para instituciones que bajo sus nombres viejos se han hecho odiosas al pueblo” 


C-M Talleyrand

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Gôngora também nos propunha ''luces duras'' .

Monumentalidade e virilidade; adequação de umas cores às outras; espaço aberto em fragmentos dentados, a agredir o espaço fechado da consciência. Por que o signo abre-se e fecha-se como um objeto divino; volta-se para dentro e abre-se ao espectador ----- auto-educado, auto-construído. Com um metro e oitenta e cinco de altura, Kalki-Maitreya tem as proporções intelectuais de Hércules e a graça física amena de um Apolo: a energia desse gênio da lâmpada cravejada no topo da pirâmide do dólar opera didaticamente a redução das formas do mundo à um signo sólido. Gôngora também nos propunha ''luces duras''; Capogrossi, martelando o desenho e a cor, no-las reconstitui no seu peso e dureza imediatas; e a figura poderosa de K.M. desperta-nos imediatamente imagens de algum ser mitológico de um tempo remoto; o costume de um deus grego teria sido mais adequado à sua caracterização, ao seu rosto e ao seu corpo, discursando com sabedoria e frieza sobre os ensinamentos de Pitágoras, Platão, Confúcio, , Hermes Trismegisto, Paracelso, , Zoroastro, Eliphas Lévy, Nicolau Flamel, Raimundo Lúlio, etc... as velas dos barcos projetando sombras imensas no mar: tendo levado o simbolismo e o figurativismo às suas extremas consequências, inventou logo para si seu próprio signo indestrutível. Varando as portas da noite o sonho lúcido encontrava o sol ----- grande ícone do Abstrato -----, rito de passagem de primeira mão; faculdade oculta da mente comunicante, símile à do número, exigindo como este a etapa iniciática, probatória, vindo de uma realidade interna construída e martelada pelo rigor do estilo. É extraordinário que, num ambiente aparentemente hostil ao estudo, à busca e à prática continuada do Grande Arcano, Kalki-Maitreya tenha tido a capacidade de resumir em seus pequenos blocos de prosa luminosa o que eminentes sábios esotéricos de outras épocas não conseguiram em seus grossos volumes com edição de luxo; revelando ao mundo uma doutrina espiritual tão pertinente, tão infalível, e ao mesmo tempo tão simples quanto absoluta. Senha de referência não só do autor, mas ainda de um sem número de espectadores privilegiados; uma téssera onde se inscrevem dados da realidade a solicitar nossa colaboração inteligente. A necessária união de idéias e signos, a consagração de realidades mais fundamentais pelos personagens mais relevantes do cenário mundial contemporâneo. Se todas as palavras de Kalki-Maitreya pudessem ser alinhadas num amplo espaço conceitual, a experiência seria instrutiva para a análise não só numérica e esotérica, mas também qualitativa de seu autor: uma vasta realidade sem fratura interna, unidade divina em perpétua expansão e ritmo do tempo psicológico da humanidade, vencendo o espaço cifrado de qualquer obstáculo. Assim prossegue o Avatar em sua operação mental estratosférica, que só pode ser definida como civilizadora.

K.M.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Una totalidad de las verdades .

¡Pero es aquí donde justamente está el peligro! «Filosofía» [entiéndase el peligro denominado «filosofía» y Husserl pone puntos de exclamación, puntos de peligro antes de poner la palabra «filosofía» entre comillas: Aber hier liegt nun der Gefahrenpunkt! «Philosophie» y prosigue tras un guión]—, por fuerza tenemos, aquí, que distinguir la filosofía en tanto que factum histórico de cada época y la filosofía en tanto que idea, idea de una tarea infinita. La filosofía, que tiene cada vez su efectividad en la historia, es el intento más o menos afortunado de realizar la idea directriz de la infinitud y, con ella, también la de una totalidad de las verdades.

J. Derridá.

Autopoiese dos perceptos mutantes.

Como manter unidos esse mergulho sensível em uma matéria finita, uma composição encarnada, sendo elas as mais desterritorializadas ---- como é o caso com a matéria da música ou a matéria da arte conceitual ------- e essa hipercomplexidade, essa autopoiese dos perceptos mutantes? ------- De maneira compulsiva volto a esse vaivém incessante, entre a complexidade e o caos. Um grito, um azul monocromático fazem surgir um Universo incorporal, intensivo, não exatamente discursivo, pático, em cujo rastro são desencadeados outros Universos, outros registros, outras bifurcações maquínicas. Constelações singulares de universos. As narrativas, os mitos, os ícones mais elaborados nos levam sempre a esse ponto de báscula caósmica, a essa singular oralidade ontológica. Algo se absorve, se incorpora, se digere (por indigesto que possa ser) a partir do que novas linhas de sentido se esboçam e se alongam. Seria preciso passar necessariamente por esse ponto umbilical ----- as escaras brancas e pardacentas no fundo da garganta de Irma, ou a rigor um objeto fetiche e conjuratório para que possa advir um retorno de finitude e de precariedade, para encontrar uma saída para os sonhos eternitários e mortíferos, para tornar a dar, enfim, o infinito a um mundo que ameça sufocar.

K.M. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Et dans un défaut en haut de la glace de droite tournoient les blêmes figures lunaires

NOCTURNE VULGAIRE

PAR ARTHUR RIMBAUD

Un souffle ouvre des brèches opéradiques dans les cloisons, — brouille le pivotement des toits rongés, — disperse les limites des foyers, — éclipse les
croisées.

— Le long de la vigne, m'étant appuyé du pied à une gargouille, — je suis descendu dans ce carrosse dont l'époque est assez indiquée par les glaces
convexes, les panneaux bombés et les sophas contournés — Corbillard de mon sommeil, isolé, maison de berger de ma niaiserie, le véhicule vire sur le gazon de la grande
route effacée : et dans un défaut en haut de la glace de droite tournoient les blêmes figures lunaires, feuilles, seins ; — Un vert et un bleu très foncés
envahissent l'image. Dételage aux environs d'une tache de gravier.

— Ici va-t-on siffler pour l'orage, et les Sodomes — et les Solymes, — et les bêtes féroces et les armées,

— (Postillons et bêtes de songe reprendront-ils sous les plus suffocantes futaies, pour m'enfoncer jusqu'aux yeux dans la source de soie).

— Et nous envoyer, fouettés à travers les eaux clapotantes et les boissons répandues, rouler sur l'aboi des dogues...

— Un souffle disperse les limites du foyer.

Eu lhe dissera para não se preocupar com essa parte.

Eu lhe dissera para não se preocupar com essa parte. No entanto, havia implicações práticas envolvidas que convinha termos em mente, em nosso último encontro. O caráter de ínterim do  que estávamos vivendo correspondia aos Dias do Messias (tempo intermediário entre o presente e o ''olam -ha -ba '' ).. Quando saíamos para tomar um lanche, ela sempre fazia questão de pagar a despesa, o táxi e a gorjeta, mas seria contraproducente (eu pensava) fazer outro mundo e outro tempo se presentificarem num bar-restaurante, diante dela, só para catequizá-la. Queria chegar o mais perto possível de dizer a Verdade sem ter que mostrá-la ou apontá-la com o dedo. Por isso, ao nos encontrarmos para almoçar perto do metrô, por ''seis bits'' a refeição'', eu não só paguei como fiz questão de servir seu sanduíche. Coloquei nele carne grelhada e cebolas assadas na grelha com picles, batatas fritas, salada de repolho cru e ketchup. Na sobremesa, pedi para ela a pior torta de maçã de que tinha notícia, com uma fatia de emborrachada de queijo prato no meio. Aquele fora o jeito mais másculo que eu dispunha para prepará--la psicologicamente para o poderoso NADA da minha Revelação. ----- Nichts der Offenbarung (eu disse) O estágio em que a Revelação surge privada de significado aparente e, no entanto, afirma-se ainda a si mesma, uma vez que segue vigorando irresistivelmente na força dos fatos. Mas nessa vigência ainda ininteligível os fatos são (muitas vezes) desagradáveis, demasiadamente crus, abomináveis, dignos de dó (.) Até certo ponto, um estágio em que a Lei se encontra ainda ''impraticável'' não é um estágio idílico, mas um ''estado de exceção'' (.) É como ficar horas sentado na sala de referência de uma grande biblioteca pública, imaginando o que se deve consultar (.) ----- , eu disse. Minha conduta, naquele momento, era baseada puramente em teorias milenares, enquanto na dela transparecia apenas uma educação liberal. Não emiti nenhum julgamento explícito sobre ela, mas ela considerou minha conduta egocêntrica: ------ Tão extensiva, tão exclusiva, que qualquer hostilidade histórica, como odiar essa ou aquela raça, jamais poderia deitar raízes nela. Não há espaço em você para isso, tão pouca atenção dedica às pessoas de carne e osso. Para você só conta o sentimento impessoal de dominação, seu ''droit de fille ''. (.) ------, ela disse. Eu recebia suas acusações de maneira totalmente desprendida, compreendendo que eu levava algumas pessoas ao desespero com minha conduta.

K.M.

A passagem do Dragão através do Khien.


Exame da passagem do Dragão através do Khien, hexagrama da perfeição em si:

http://portalpineal.blogspot.com.br/2013/12/a-passagem-do-dragao-atraves-do-khien.html

O Dragão "inteligência cujas modificações são ilimitadas, símbolo das transformações da via racional (tao) da atividade expressa por Khien"  I Ching: capítulo I § 8, comentário Tsheng-tse) se coloca sobre o primeiro traço (traço inferior e positivo, sem solução de continuidade); ele representa "o ponto de partida do princípio dos seres". É o "Dragão oculto".

A extrema atividade da Perfeição não se produz, não se revela por qualquer ato de vontade, mesmo por qualquer pensamento; logo ela é oculta, quer dizer não inteligível ao homem. É o período do não agir (wu wei). E por período deve-se entender a idéia de estado metafísico, como, pela palavra "situação", deve-se entender o "lugar geométrico", todas as concepções devendo ser aqui independentes das relatividades do tempo e do espaço.

Pousado sobre o segundo traço, o Dragão emerge: a atividade começa a se fazer sentir sobre a superfície da terra: é o "Dragão no arrozal". A extrema atividade do céu ainda não se manifesta, mas o homem se dá conta de que ela existe, Este sentido dá a tendencia geral do hexagrama. Os dois traços correspondentes sendo aqui todos os dois positivos, resulta que o sentido do Khien é reforçado, quer dizer a atividade do céu é extrema, contínua, eterna e que o Céu não é concebível fora da ideia de sua atividade.

Esta segunda situação resume-se perfeitamente por esta comparação de Shiseng: "O éter positivo começa a engendrar, assim como a luz do sol começa a clarear todas as coisas, antes que este apareça no horizonte".

Pousado sobre o terceiro traço, o Dragão se manifesta: ele

está sobre a situação superior do primeiro trigrama: é o momento da lenda onde, subindo ao topo das águas ruidosas, ele vai se lançar no ar e aparecer como ele é na realidade. Se as escamas do Dragão saem das águas, então o homem conhece a ciência e a lei. É o "Dragão visível". A incessante atividade, chegada do alto de um trigrama, supera o abismo que a separa do segundo trigrama. Matéria para grande circunspecção.

Há cuidados e perigo a evitar em "ver o rosto do Dragão", quer dizer conhecer a Ciência e a Lei., se não se está suficientemente preparado pelos estados anteriores. Eis a vontade de expansão de todos os seres, muito perfeita posto que ela é o coroamento da atividade, mas muito perigosa, posto que ela pode alcançar à multiplicidade, quer dizer às formas e à desunião.

Ousado sobre o quarto traço, o Dragão tende a deixar o mundo, quer dizer desaparecer, posto que estando manifestado, se tornará , se permanecer, inteligível ao homem, e não mais será a Perfeição em si; mas ele não voa ainda; "ele é como o peixe que salta fora da água, com a vontade, mas sem os meios de desaparecer: é o Dragão igualmente pronto a se extinguir no éter dos espaços celestes e nas profundezas dos abismos, onde se encontra o lugar de seu repouso" (I Ching, cap. I § 14; comentário de Tsouhi).

A incessante atividade, o extremo do salto, pode tomar as asas do Dragão e desaparecer no alto, ou conservar as nadadeiras do peixe e desaparecer em baixo: há a liberdade de avançar ou de recuar. Eis o símbolo da liberdade e da independencia com as quais o universo se move e entra na sua via (Tao).

ele está sobre a situação superior do primeiro trigrama: é o momento da lenda onde, subindo ao topo das águas ruidosas, ele vai se lançar e aparecer como ele é na realidade. Se as escamas do Dragão saem das águas, então o homem conhece a ciência e a lei. É o "Dragão visível". A incessante atividade, chegada do alto de um trigrama, supera o abismo que a separa do segundo trigrama. Matéria para grande circunspecção.

Há fascinação e perigo em "ver o dorso do Dragão", quer dizer conhecer a Ciência e a Lei., se não se está suficientemente preparado pelos estados anteriores. Eis a vontade de expansão de todos os seres, muito perfeita posto que ela é o coroamento da atividade, mas muito perigosa, posto que ela pode alcançar à multiplicidade, quer dizer às formas e à desunião.

Ousado sobre o quarto traço, o Dragão tende a deixar o mundo, quer dizer desaparecer, posto que estando manifestado, se tornará , se permanecer, inteligível ao homem, e não mais será a Perfeição em si; mas ele não voa ainda; "ele é como o peixe que salta fora da água, com a vontade, mas sem os meios de desaparecer: é o Dragão igualmente pronto a se extinguir no éter dos espaços celestes e nas profundezas dos abismos, onde se encontra o lugar de seu repouso" (I Ching, cap. I § 14; comentário de Tsouhi).

A incessante atividade, o extremo do salto, pode tomar as asas do Dragão e desaparecer no alto, ou conservar as nadadeiras do peixe e desaparecer em baixo: há a liberdade de avançar ou de recurar.


Pousado sobre o quinto traço, o Dragão, inteiramente manifestado, age na sua plenitude e rege o mundo. Ele deixou a terra para desaparecer, mas sobre o ponto de alcançar os limites, ele ainda não despareceu, e sua influencia benfeitora se espalha por toda parte; é o Dragão voador, que, neste instante, propicia, apenas por sua visão, a idade de ouro da humanidade. É a expansão feliz do Universo na Totalidade que não cessa de ser a Unidade. A extrema atividade faz esta totalidade: a presença do Dragão faz esta unidade: e para falar uma linguagem menos metafísica, a criação existe inteiramente, mas ela não tem formas.


Lembremos que o quinto traço é o traço mediano do trigrama superior e que corresponde por simpatia ao segundo traço: sendo o segundo traço uma vontade de ação não formulada e o quinto traço é esta ação formulada.

Pousado sobre o sexto traço, o Dragão desaparece; "a altura conveniente, diz Tsouhi, é superada, a extrema unidade é alcançada, há excesso de elevação". Este comentário só deve ser entendido em relação ao universo visível. Eis o "Dragão que começa a desaparecer; e com ele começa a desaparecer também esta estase de perfeição absoluta, que aportava com ela este desgosto da impossibilidade de sua manutenção (por causa ao mesmo tempo da perfeição relativa e da extrema atividade do céu). "O que está completamente realizado, diz Confúcio, não pode durar muito". E assim o homem é tão imperfeito que a ideia mesmo de perfeição leva com ela o temor de perdê-la. Eis a criação tangível, ou melhor, a divisibilidade da unidade pela multiplicação das formas, e o estabelecimento da dualidade relativa da perfeição inteligível ao homem, pelo desaparecimento do Dragão que simbolizava a Unidade através do veículo universal.

É a estase atual que atravessamos, no ciclo ao qual pertence nossa humanidade. O desgosto desta humanidade engendra seu desejo único, denominado idealismo, e que é de fato o desejo de entrar de novo no estado de unidade.